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Crítica | Mark Felt – O Homem Que Derrubou a Casa Branca

O Homem Que Derrubou a Casa Branca é um relato sincero e incômodo de eventos tão atuais que nem parece que aconteceu em outro século.

Liam Neeson é Mark Felt em “O Homem Que Derrubou a Casa Branca“. Com imponência e sobriedade, Neeson nos conduz a uma narrativa que se mistura a ele mesmo, revelando sua versão fria, cinzenta e pragmática dos eventos que antecederam e sucederam a morte de Edgar Hoover.

O andamento do filme é muito enrolado, assim como o jornalismo e a política são: duas organizações enroladas, burocráticas, que chegam a vencer pelo cansaço (ou insistência) do que pela competência, na maior parte das vezes. E no caso de O Homem que Derrubou a Casa Branca, o efeito é esse: assistimos a uma obra ficcional que causa a mesma angústia e incômodo de um telejornal em dia de “plantão”; aqueles noticiários que repetem o mesmo assunto o tempo inteiro, acrescentando essa ou aquela informação nova, mas preservando o caráter obsessivo em tentar provar e defender um grupo (normalmente, o que sustenta a própria imprensa).

Se, por um lado, os eventos são rápidos demais, nos deixando confusos e com dificuldade em acompanhá-los, por outro, sabemos que é exatamente assim no dia a dia. Notícia atrás de notícia, pronunciamento atrás de pronunciamento. É uma frenética e interminável luta de poderes, cujo vencedor é o lado mais ágil e o que detém o maior número de informações do oponente. Como já visto antes em House of Cards (2013-2017), ou até mesmo nos eventos reais da mídia internacional, a Casa Branca é uma espécie de jogo, e seus integrantes são as peças. Nas palavras dos próprios personagens do filme, “um ecossistema”. Quando um evento desestabiliza o conjunto, cada peça (ou elemento) desaba, um após o outro, até não sobrar nada. E esse fenômeno foi retratado de maneira sutil e, aparentemente, verdadeira.

A combinação de plano e som é o que salva o enredo monótono. Cá entre nós: sem o design de som, o filme seria chato. Não que houvesse outra maneira de retratar a realidade interna da Casa Branca, porque não havia. Mas o timing do filme deixa o espectador sonolento e inquieto. As cores sombrias e azuladas destroem o pouco de vivacidade que ainda resta naquela guerra “quase dos tronos”; mas nós ainda temos a trilha sonora, e ela traz tensão e uma espécie de cronômetro discreto, dialogando com as indicações das passagens de tempo, sempre usando a posse da presidência como parâmetro.

Outro fator importante de lembrar é a escolha dos planos usados nas cenas em que Mark protagoniza: ele está sempre encurralado, seja por objetos, móveis, paredes, ou mesmo pessoas. Todos os elementos circundam seu espaço pessoal, dando a impressão metafórica de que não há mais para onde ir; que o destino de Mark já estava premeditado. Existe uma cena, perto do final, em que Mark dá um telefonema num telefone público, ao lado de uma lavanderia. É engraçado notar que existe apenas uma máquina ligada no quadro, bem ao lado dele, separados apenas por uma parede. As roupas giram e Mark continua trocando informações sigilosas, ou melhor, lavando roupa suja.

O Homem Que Derrubou a Casa Branca será lançado no dia 26 de outubro de 2017. Abaixo, o trailer:

 

 

 

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