Filmes

Crítica | Uma Razão Para Viver

Uma Razão Para Viver não é um filme de sobrevida ou morte; é sobre extrapolar os limites criados por nós mesmos, e para nós mesmos.

O que parecia ser mais um filme do mocinho tetraplégico vivendo uma história de amor com a mocinha que aceita cuidá-lo até que a morte os separe, terminou sendo mais do que isso; diferente do já feito antes, Uma Razão Para Viver não é um filme sobre a Morte, mas sobre a Vida, e sobre aproveitar cada minuto de alegria em meio a oceanos de sofrimento. É sobre Carpe Diem. Resignação. Sobre um homem que soube agradecer um gesto de carinho de seus amigos e esposa, e devolvê-lo para todos aqueles que passavam pela mesma situação que ele, e que também precisavam compartilhar esses minutos de alegria.

Embora este filme seja um cinebiografia, existe um apelo ficcional que o distancia um pouco da realidade, trazendo as emoções de Robin (Andrew Garfield) para o centro da narrativa. Estas emoções podem ser observadas através da escolha das cores, luzes e planos em momentos de tristeza, angústia, alegria e alívio. Quando Robin está assustado e amedrontado com a doença, ele está encurralado nos planos fechados e escuros; quando ele volta a realmente viver, os planos são abertos, coloridos e iluminados.

Uma Razão Para Viver não é o primeiro cine-biografia de uma figura pública tetraplégica que utiliza um tom mais leve como abordagem; A Teoria de Tudo (2014) já fez isso antes. A diferença é que agora, na história sobre Robin, o foco é nos momentos bons, em seu humor alegre, e nessa maneira resiliente de lidar com a poliomielite.

E Garfield, por sua vez, conseguiu incorporar o papel com naturalidade. E aqui, um comentário especial a toda a equipe de maquiagem: os anos foram passando vagarosamente, e talvez nem fosse preciso a indicação na tela, porque o rosto dos protagonistas (Robin e Diana) envelheceram com essa mesma naturalidade. A cada etapa, eles estavam um pouquinho diferentes, deixando o espectador acompanhar essas leves mudanças da mesma maneira que acompanhamos nossos amigos e família: devagar e quase sem nem perceber.

A verdade é que Uma Razão Para Viver não é um filme de sobrevida ou morte; é sobre viver, vivenciar, experimentar e extrapolar os limites criados por nós mesmos, e para nós mesmos.

 

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