Críticas

Crítica | Liga da Justiça

Liga da Justiça é um filme com suas falhas, mas que é o começo do que pode vir a se tornar uma franquia de sucesso.

A morte de Superman (Henry Cavill) parece ter sido o suspiro final de esperança para a humanidade. O filme, que em seu começo apresenta um tom sombrio, carrega uma melancolia astuta desde sua fotografia até a trilha sonora nas primeiras cenas, que mostram os arredores de uma cidade desprovida de fé após o decesso de seu maior herói.

Carregando a culpa pelo que aconteceu com Clark, Bruce Wayne (Ben Affleck) se encontra na obrigação de se redimir através de suas ações. Ao ser informado de uma ameaça que pode incitar a destruição do planeta, Bruce decide reunir outros heróis capacitados para formar uma equipe poderosa o suficiente para impedir o apocalipse.

É então que somos apresentados aos novos heróis. A estrutura presente para introduzir os demais ao universo é bastante satisfatória, não sendo apelativa ao mesmo tempo em que deixa uma base sólida para o desenvolvimento do enredo e personagens nos futuros filmes solos – os quais já têm suas datas de estréia previstas entre 2018 (Aquaman e Flash) e 2020 (Ciborgue).

O passado de Diana Prince (Gal Gadot) é trazido à superfície de maneira direta pela primeira vez após o lançamento de Mulher-Maravilha, destacando a humanidade presente na guerreira forte que é exaltada constantemente entre as cenas.

Enquanto isso, descobrimos um pouco do passado de Flash (Ezra Miller) e a fragilidade deste herói em relação aos outros. Por ser mais novo e inexperiente, suas inseguranças estão em constante luta com a necessidade de dispor sua ajuda ao grupo. Apesar do conflito de amadurecimento, Barry Allen possui uma inocência pré-adolescente que só é estabelecida graças à performance de Miller.

Despistando o fato de que Barry, por ser o mais jovem da equipe, é construído com um ar humorístico para suavizar a asfixia entre as lutas, o alívio cômico proposto pelos roteiristas é, muitas vezes, desnecessário e acaba por decair em relação à linearidade. Esse fato acontece não apenas nas cenas de Flash, mas também em outras piadinhas falhas que surgem entre as falas de outros heróis.

Cyborg (RayFisher), por outro lado, é um personagem que teve a maturidade forçada por uma tragédia familiar que lhe custou a renúncia de sua vida anterior para viver trancado como um experimento, temendo o impacto de seus poderes dentro de uma sociedade psicologicamente despreparada para lidar com uma “máquina humana”. Todo esse autoflagelo emocional reforça a ligação da persona com a figura paterna que é conflituosa durante a linha de desenvolvimento do filme.

Jason Momoa carrega em si toda a selvageria fluida que caracteriza seu personagem com uma bravura estética e movimentada. Sua coragem é colocada à prova no momento em que Atlântida é atacada pelo antagonista, sendo lembrado do sacrifício de sua mãe.

Entretanto, o vilão escolhido é decadente e desanimador, visto o padrão alto e a maleabilidade de outras figuras dentro de um universo que tem como ressalva as melhores criações de personagens antagônicas. Ele não possui uma motivação razoável e nem mesmo características que o tornem memorável.

O roteiro apresenta diversas falhas, especialmente em seus diálogos, mas conduz o desenvolvimento narrativo e caracterizado de cada personagem de maneira competente, deixando aberto o espaço que deve ser aproveitado nos próximos filmes.

A direção de Zack Snyder teve suas melhoras. Apesar das constantes reclamações por causa do exagero nos efeitos visuais, tivemos aqui uma diminuição da luz verde, trazendo mais CGI para os elementos de cena – como os integrantes do exército de seu antagonista e o espaço caótico da cidade após a destruição (esse segundo sendo ainda um tanto doloroso para as vistas). Após a colaboração em Batman vs. Superman, Christopher Nolan é novamente creditado como produtor executivo em Liga da Justiça.

Sendo o filme menos escuro dentre os previamente feitos pela parceria Warner-DC, o longa-metragem apenas é introduzido com um tom obscuro e cinzento como representação de luto. Ao prosseguir, as imagens tornam-se mais claras e alegres, tonalizando a continuidade da luta pela vida que existe em seus heróis.

A trilha sonora é vibrante e bem encaixada, com a escolha excepcional de uma adaptação de Come Together, música que resume o principal objetivo do primeiro filme da franquia.

Mesmo com as falhas de roteiro e excessos que pecam na direção, o acerto em personagens palpáveis, um desenvolvimento básico, som e ritmo entusiasmados e uma excelente química conjunta, Liga da Justiça é o suporte da criação do universo que está sendo construído e que pode trazer bons resultados para o que antes era um trabalho desleixado e preguiçoso como o feito em Batman vs Superman.

O filme possui duas cenas pós-credito, sendo uma delas um excelente alívio cômico e a outra um impulso para o próximo filme. Estreia hoje (15/11/2017) nos cinemas de todo o Brasil.

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