Filmes

Crítica | A Bela e a Fera

O remake da primeira animação a ser indicada ao Oscar na categoria de Melhor Filme prometia ser tão bom e envolvente quanto a versão original de 1991. No entanto, acabou por afundar em um mar de falhas.

Bela (Emma Watson) mora em uma pequena aldeia no interior da França e é totalmente diferente das moças da época; ela gosta de ler, não tem planos de arrumar um marido e usa sua sabedoria para criar invenções que a ajudam no seu dia a dia. Quando Maurice (Kevin Kline), seu pai, resolve fazer uma viagem, ela o pede para trazer uma rosa igual àquela que ele tinha trazido há algum tempo.

No caminho de volta para casa, ele vê um castelo e, no jardim, uma rosa igual à que a filha tinha pedido. No exato momento em que ele se aproxima para pegar a rosa, a Fera (Dan Stevens) o ataca e o leva para dentro do castelo, como seu prisioneiro. Na aldeia, Bela, preocupada pelo pai não ter voltado, resolve ir atrás dele e acaba chegando ao mesmo castelo onde seu pai está preso. Ao vê-lo como prisioneiro da Fera, toma seu lugar, virando prisioneira para libertá-lo.

Maurice chega à aldeia novamente, depois de contar com a ajuda de Gaston (Luke Evans) e LeFou (Josh Gad). No bar da vila, ele conta que a filha está tida como prisioneira em um castelo, mas ninguém acredita nele; Gaston, por estar apaixonado por Bela, resolve ajudá-lo, e LeFou, por ter uma paixão platônica pelo amigo, decide ir também.

Nesse meio tempo, Lumiére (Ewan McGregor) e Cogsworth (Ian McKellen) avisam à Fera que ele precisa ser simpático com Bela, pois ela pode ser a última esperança para quebrar o feitiço feito por Enchantress (Hattie Morahan).

A produção segue o mesmo padrão da animação de 1991. A Bela e a Fera foi produzida, escrita e teve sua direção em formato de musical. E, apesar da introdução de alguns elementos que não aparecem na animação, como, por exemplo, o passado da mãe de Bela e os personagens LGBT e negros no decorrer da história, o roteiro de Evan Spiliotopoulos e Stephen Chbosky é semelhante à versão original. Esta semelhança atrapalhou um pouco no desenvolvimento do enredo. A relação da Bela com a Fera é mostrada com ineficiência e sem desenvolvimento, andando muito depressa e sem dar o devido tempo para haver as mudanças na relação interpessoal.

A direção de arte e a trilha sonora foram os pontos altos da produção inteira. A direção de arte, pela via de ter pego elementos cruciais, como, por exemplo, a construção do cenário da vila, dos objetos no castelo e da época retratada no filme – fazendo, assim, jus a aquele devido momento. A trilha sonora foi composta por Alan Menken, que não foi apenas responsável pelas músicas da animação de 1991, como também pela maioria das composições das animações da Disney. Esse fator já deu uma qualidade imensurável para a trilha sonora, fazendo-a ficar tão rica e memorável quanto a original.

Emma Watson deu vida a Bela de uma forma morta e apagada, principalmente na cena de Be Our Guest, onde foi utilizado o Chroma key (uma técnica de efeito visual que coloca uma imagem sobre a outra através da anulação de uma cor padrão, como, por exemplo, a cor verde). Watson não sabia para onde direcionar seu olhar, mostrando também uma falha na direção da devida cena.

A direção da obra foi de Bill Condon, responsável pela direção dos últimos filmes da saga Crespúsculo, Amanhecer Parte 1 (2011) Parte 2 (2012). A direção de Condon  deu o devido foco aos dois núcleos presentes no enredo: o castelo e a vila; no entanto, acabou perdendo-se na velocidade na qual as coisas aconteciam. Ao deixar a trama o mais parecido possível com a animação, as cenas corriam muito depressa, fazendo alguns detalhes se perderem ao longo do caminho.

A captura dos movimentos da Fera foi feita a partir de uma técnica chamada de Mocap, que é utilizada para gravar movimentos humanos digitalmente utilizando pontos de referência presos em roupas de captura de movimento e na face. A caracterização do personagem não foi feita por maquiagem: foi toda criada por computação gráfica e, com isso, o personagem ficou muito menos assustador do que ele deveria ser.

A edição do filme foi uma das partes mais prejudicadas em A Bela e a Fera. Seu principal erro de edição foi na cena da dança ao som da música tema. O momento, que era o ponto mais emocionante da produção inteira, teve a sua magia, encantamento e emoção quebrados pela aparição de uma tela preta no meio da cena.

Ainda assim, a obra teve uma estética bonita. Houve a mistura do cenário com as cores e os atores, mas nas cenas onde precisou de um foco mais detalhado nas suas expressões, a fotografia não ajudou muito.

A Bela e a Fera de 1991 foi a primeira animação a ser indicada ao Oscar de Melhor Filme e o seu remake, em 2017, não trouxe nenhuma inovação, provando ser uma cópia cheia de falhas.

 

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