Música

Análise | Miracle Aligner – Last Shadow Puppets

A subjetividade em Miracle Aligner é tão doce que parece poesia em forma de vídeo.

Sabemos que meio mundo de fãs do Alex Turner está pedindo que pelo amor de Deus apareça uma música nova desse menino. Nós do Sessão das Três também não aguentamos mais esperar. Mas, enquanto esse milagre não acontece, vamos relembrar aquele outro milagre de 2016, que foi o single de retorno do Last Shadow Puppets (primeira banda do Alex Turner, em hiatus desde 2012) chamada, curiosamente, Miracle Aligner.

Muitos burburinhos circularam desde o início do Last Shadow Puppets, sugerindo, ou supondo, que os dois integrantes principais da banda (Alex Turner e Miles Kane) tivessem um caso. Era mais uma daquelas viralizações de fofoca. No entanto, em 2016, a banda retornou com um álbum totalmente diferente, ainda mais hipster-indie do que já eram, e com performances inspiradas em lendas do rock alternativo, como David Bowie, Scott Walker, e a fase mais progressiva dos Beatles (anos 60-70).  Essas performances (em videoclipes e em shows) foram todas montadas para que os burburinhos do passado só aumentassem, como se eles estivessem dizendo “okay, vocês querem nos ver juntos, então vejam só!”.

No início de Miracle Aligner, vemos Alex e Miles num cenário romântico, debruçados numa sacada, e escutamos uma voz (que parece uma dublagem, como se fosse o Alex) falando em italiano a seguinte frase: “Isso… Se trata de uma tentativa aproximada de mostrar a verdade”. Logo após, pétalas de rosas caem do céu, e a câmera aqui dá zoom, tirando os dois de cena, e trazendo-os de volta com o movimento oposto, já em outro cenário.

Agora, não são mais as pétalas entre eles, mas o reflexo de algum ponto luminoso, com o espectro de cores decomposto, como costumamos ver num prisma, ou quando chove; o famoso arco-íris. Alex e Miles parecem estudar e se acostumar com os movimentos compartilhados entre seus corpos e a luz multicor.

À medida que os olhares entre Alex e Miles se aprofundam, o arco-íris se torna maior e mais nítido. Então, Alex resolve sair de onde está, e balança a cabeça, como se quisesse afastar este arco-íris. Ao fazê-lo, o arco-íris de fato se torna fosco de novo. Mas Miles não se intimida; ele também o segue e começa a tentar interagir com ele a todo custo, utilizando-se de movimentos circulares e com a coluna sempre inclinada, lembrando, vagamente, os movimentos de pássaros em suas danças “do acasalamento”.

O movimento de câmera aqui também ajuda nisso, deixando o vídeo numa espécie de slow motion, em que cada passo se torna grandioso e exagerado. O papel dessa câmera tem seu ápice neste novo momento, quando ela circula Alex e Miles, sem deixá-los em nenhum segundo de costas; enquanto a câmera gira, os dois se movem lentamente em movimentos simples e sensuais, mas sem deixar de direcionar o olhar para o espectador, como se conversassem conosco. Alex canta: “Diga a ele o que você quer, que ele conseguirá o que você precisa. Vamos, Santo Milagroso, ajoelhe-se! Ajoelhe-se de novo!“.

Nesse momento, ambos se ajoelham em cima de uma mesa e voltam a interagir timidamente, em movimentos pequenos. É quando o plano abre e nos mostra que há uma plateia assistindo a essa tal “dança sensual”, como se fosse um espetáculo, algo inusitado. Alex instintivamente puxa Miles para si, parecendo protegê-lo dessa plateia.

Esta é a primeira vez que Alex demonstra algum sentimento com relação ao seu parceiro de dança. Depois disso, a cena volta para onde eles estavam antes, como se fosse uma nova versão do que havia acontecido; agora, Alex retribui a interação, dançando realmente com ele, ao contrário do início, em que ele apenas “aturava” as investidas de Miles. E então, quando retornamos ao salão com a plateia, a dupla exagera em seus movimentos em cima e fora da mesa, sem dar a mínima atenção aos curiosos, fazendo-os de palhaços e curtindo-se em êxtase, apenas.

As pessoas terminam desistindo e indo retomar suas vidas. Vemos algumas tomando o caminho da porta, outras passando de um lado para o outro segurando equipamentos e uma escada; e quanto ao casal de dançarinos? Seu ápice foi emaranhar-se no chão, como se fossem um só, e adivinha: lembram-se do arco-íris? Pois ele retorna bem grande e circular ao redor da dupla, e assim Miracle Aligner acaba.

Podemos entender que este single foi, certamente, um recado para as suposições de um relacionamento entre Alex e Miles. É como se dissessem: “Estamos fazendo arte, estamos nos divertindo, enquanto vocês aí nos assistem como um espetáculo circense. Então quer saber? Que seja isso, então“. E de fato, os demais videoclipes e shows continuaram com este modelo de apresentação.

Se existe ou não um relacionamento entre os garotos de Last Shadow Puppets pouco importa. Mas sejamos sinceros: eles formam um casal bonitinho.

Abaixo, o clipe na íntegra:

 

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