Críticas

Crítica | Extraordinário

Assistir a Extraordinário é como mergulhar em um oceano de sentimentos.

O emocionante best-seller de R. J. Palacio ganha vida no cinema em uma obra cativante e encantadora.

August Pullman (Jacob Tremblay), ou Auggie, é um garoto de dez anos que possui uma deformação facial devido a 27 cirurgias que salvaram sua vida, possibilitando o funcionamento das funções básicas do corpo. Após ser educado em casa pela mãe (Julia Roberts), Auggie precisa enfrentar o desafio que é frequentar uma escola sem se sentir menosprezado pela sua aparência.

O roteiro, apesar da inclinação para o apelativo, é sensato em puxar a sua linha narrativa para o lado mais pessoal de cada uma de suas figuras. O filme introduz as mudanças de foco em cenas divididas com o nome de suas personagens, o que, muitas vezes, é eficiente em demonstrar dois pontos de vista de um mesmo acontecimento.

Além disso, o foco não é a doença de Auggie e sim a prática do bullying, e como isso pode afetar o desenvolvimento pessoal de uma criança em sua fase de crescimento. As crueldades cometidas com o garoto, verbal e fisicamente, no colégio e em ambientes educativos, é crua de uma forma que torna quase impossível não se indignar com a maneira como ele é tratado.

A atuação de Tremblay reforça esse estigma; nos ajuda a aproximar a visão telespectadora dos sentimentos e reações de August Pullman. O garoto, que também atuou como protagonista em O Quarto de Jack (2015), entrega ao público expressões tocantes e lições valiosas através da suavidade com a qual lida com a sua personagem. Ele consegue dar uma abordagem suave e intimista, permitindo que a audiência esteja ciente dos sonhos e inseguranças de Auggie e, ainda, dando um reforço apaixonante ao coração bondoso de uma criança que se conflitua entre a inocência e a violência sofrida.

Julia Roberts e Owen Wilson fazem um excelente trabalho como os pais de August. Enquanto Isabel Pullman (Julia Roberts) é a responsável por assumir os papéis de crise dentro da casa, tendo cuidado da educação de Auggie e deixado sua profissão para cuidar da doença do filho, Nate (Owen Wilson) é um pai apoiador e que demonstra um lado mais calmo e aliviado, tentando sempre dar espaço para que sua esposa volte à sua rotina e servindo como alívio cômico para alguns momentos do filme.

A peça mais fraca do elenco é, provavelmente, Izabela Vidovic, a intérprete de Via. A definição “irmã do protagonista” para a personagem é justamente o conflito interno da garota durante todo o filme. Via acabou de perder a avó e sua melhor amiga a rejeita, o que faz com que ela se sinta cada vez mais sozinha e reforce sua percepção de que seus pais nunca estão realmente presentes em sua vida porque estão ocupados demais cuidando de Auggie, especialmente sua mãe. Apesar do telespectador conseguir capturar a tristeza e a insatisfação da personagem, esse trabalho está essencialmente ligado ao roteiro, visto que a atriz é inexpressiva e um tanto fraca para a carga dramática que deveria possuir.

A direção é de Stephen Chbosky, que dirigiu As Vantagens de ser Invisível (2012) e roteirizou o novo live action de A Bela e a Fera (2017). Há um excelente esforço em questões de movimentação e trabalho artístico. Como diretor, Chbosky é muito responsável em tornar a atmosfera colegial nos momentos em que Auggie ou Via estão em suas respectivas escolas, assim como ele consegue fotografar sonhos de forma encantadora. Alguns momentos nos são fornecidos com uma visão paralela e imaginativa de Auggie, especialmente entonando seu gosto pela ciência e seu sonho de ir para o espaço.

Um adicional à cuidadosa direção é o trabalho de enquadramento. Por vezes, a câmera se fixa parada enquanto um objeto em específico está em movimento e, por outras, temos uma imagem expandida pelo ambiente ou gravada de uma visão superior à de seus personagens.

A escolha do azul para elementos de cena remete à origem da capa de seu livro, que é facilmente lembrado por um tom claro porém forte da cor. Além disso, a atmosfera atuante também possui um tom azul-amarelado, que proporciona a sensação de infantilidade em seu público.

A trilha sonora é composta por diversas músicas que se encaixam muito bem em sua montagem. Bea Miller escreveu a canção “Brand new eyes” especialmente para o filme; além disso, há um conjunto de sinfonias muito bem compostas por Marcelo Zarvos.

Com sequências emocionantes e reflexões fortes, mas que passam de maneira natural em seu desenvolver, Extraordinário é um filme que aquece o coração dos telespectadores e traz uma pessoalidade sólida mas flutuante entre o encantamento e a solidão. Uma obra emocionante que não precisa apelar para sua questão principal, porém é eficiente em abordar o problema do bullying e do preconceito desde crianças até adultos.

O filme estreia nesta quinta-feira (07/12) nos cinemas de todo o Brasil.

 

Anúncios

Categorias:Críticas

Marcado como:

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s