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Semana Black Mirror |Black Museum

O sexto e último episódio está recheado de referências a episódios anteriores. E toda sua excelência, do começo ao fim, fez de Black Museum o gigante da quarta temporada de Black Mirror

Em uma estrada deserta, Nish (Letitia Wright) deixa seu carro em um posto de gasolina. Ao sair do carro, ela avista um local chamado de Black Museum, um museu de artefatos criminais autênticos; o proprietário, Rolo Haynes (Douglas Hodge), trabalhava no marketing de várias pesquisas realizadas no Hospital Saint Juniper, localizado em Nova York. Após um experimento transfusional, considerado ilegal, Haynes é despedido e, assim, o Black Museum teve o seu início.

No momento em que Nish direcionava seu olhar, com curiosidade, a um dos artefatos expostos, Haynes contava sua história e o porquê deste ter parado ali. Um destes objetos foi a interface neurológica utilizada pelo Dr. Peter Dawson (Daniel Lapaine), junto a um implante experimental, localizado em seu pescoço e que tinha a função de fazê-lo sentir as dores de seus pacientes.

[ALERTA DE SPOILER]

Nish, logo após Haynes terminar de falar sobre a interface neurológica do Dr. Dawson, aponta para um macaco de pelúcia. Rolo diz à ela que o bicho de pelúcia abriga a consciência de Carrie (Alexandra Roach). Logo após sofrer um atropelamento, a mulher entra em coma permanente, fazendo com que Haynes convença seu marido, Jack (Aldis Hodge), a aceitar a transferência da consciência de Carrie para o seu cérebro. No terceiro flashback, referente ao terceiro objeto apresentado por Rolo Haynes, conta-se como Clayton Lee (Babs Olusanmokun), acusado de ter matado uma jornalista, aceitou que Haynes obtivesse os direitos por sua consciência pós-morte, na forma de um holograma.

O sexto episódio da quarta temporada foi dirigido por Colm McCarthy, responsável pela direção de Outcast (2010). A direção de McCarthy conseguiu englobar os flashbacks sem correr com o andamento das histórias, dando a cada uma delas o tempo necessário para que a história dos artefatos expostos fosse contada de forma curta, porém estruturada e sem faltar detalhes importantes para a compreensão das mesmas. As cenas no Black Museum, também, são mostradas com magnitude. A velocidade dos acontecimentos narrados no museu é precisa, mesmo que o foco principal não seja destas.

O roteiro de  Charlie Brooker é bem estruturado e conciso, os acontecimentos narrados por Rolo Haynes contém elos narrativos fortes, sempre mantendo a narração atrelada ao artefato narrado. Apesar da história do surgimento do Black Museum não ter sido muito bem explorada dentro do episódio, o desenvolvimento da história do local já deu uma pequena compreensão do inicio de tudo. Mesmo não tendo uma importância maior dentro do episódio, foram feitas várias referências aos outros episódios da série. Dando, assim, uma excelência maior no resultado final.

A edição de som deu um toque a mais nas cenas, os sons utilizados deram uma emoção maior aos acontecimentos. As músicas e notas sinfônicas apresentadas deram,também, todo um aspecto maior e fascinante, fazendo com que a música complementasse a história de alguma forma.

A estética tem o seu valor dentro do episódio. As cores, os cenários e os atores se misturam e onde foi necessário um foco maior na expressão dos personagens, a fotografia ajudou bastante.

O último episódio da quarta temporada de Black Mirror, além de ser um dos mais estruturados e desenvolvidos, teve surpreendentes acontecimentos que deram uma qualidade imensurável a Black Museum.

 

ARTE: Butcher Billy
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