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Maratona OSCAR | Dunkirk

A recente produção de Christopher Nolan deu um show de excelência em termos de estética e técnica, porém falha miseravelmente na narrativa.

Dunkirk narra a história real da Operação Dínamo, realizada durante a Segunda Guerra Mundial, na cidade de Dunquerque, na França. Esse foi um momento marcante desse período histórico; aconteceu em 1940, quando mais de 300 mil soldados foram resgatados do ataque nazista na costa francesa. Christopher Nolan já havia  pensado em contar o ocorrido fato desde o início de sua carreira, mas o desejo não se concretizou de antemão.

Resgatando uma vontade do passado, o diretor de A Origem (2010) finalmente pode colocar em prática e transformar a Operação Dínamo em seu mais novo longa metragem. Um fato que resultou para Dunkirk em oito indicações ao OSCAR 2018: “Melhor Filme”, “Melhor Diretor”, “Melhor Fotografia”, “Melhor Direção de Arte”, “Melhor Edição”, “Melhor Trilha Sonora”, “Melhor Mixagem de Som” e “Melhor Edição de Som”.  

A direção da produção não é o seu ponto forte, no entanto tem lá a sua contribuição ao audiovisual. A falta de um roteiro estruturado pecou  no trabalho de Nolan atrás das câmeras, pela falta de elos em determinados momentos. No entanto, conseguimos perceber vários elementos típicos de suas produções, como as narrativas não-lineares. Há um foco gigantesco na guerra no sentido mais amplo, fato que ajudou a desvalorizar os personagens a nós apresentados durante a trama.

Se a forma de conduzir o filme foi falha em alguns momentos, a fotografia caminhou pelo lado oposto. O diretor de fotografia Hoyte Van Hoytema fez da mesma um espetáculo de excelência, provando que a parceria iniciada em Interestelar (2014) mereceu uma segunda dose. Os cenários e as cores utilizadas acabavam se misturando com os atores, dando uma estética artística incrível. Nos momentos onde se fez necessário um foco detalhado nas expressões de apreensão, terror e luta pela sobrevivência, Hoytema mostrou novamente o seu valor, pois o foco nas mesmas ajudou ambientar tais sentimentos e expressões, ajudando a criar o sentimentalismo necessário para estes momentos.

O outro fator artístico de maior magnitude em Dunkirk  foi a direção de arte, tanto pelo lado das vestimentas quanto pelo cenário como um todo. Os aviões de ataque aéreo mostrados em cena eram uma cópia perfeita daqueles utilizados em 1940. Os uniformes de guerra dos soldados beiravam a semelhança aos utilizados na Segunda Grande Guerra. Unindo os três e adicionando uma pitada da reprodução dos navios de resgate e dos barcos conduzidos pelos civis, que demonstraram apoio à operação, temos a criação de uma fórmula de cunho artístico incrível e fiel à época retratada.

Apesar de concorrer a melhor edição no 90° OSCAR, a falta de elos narrativos e temporais entre algumas cenas prejudicou um terço da montagem de Dunkirk. Sem sombra de dúvidas, a edição de som e a mixagem de som são os pontos fortes da produção como um todo. Arriscamos dizer que Dunkirk foi feito para ver no cinema, por razão do som ser a força que move a mais recente produção de Christopher Nolan. No lugar de diálogos fortes, com frases impactantes – como aconteceu em Batman – O Cavaleiro das Trevas (2008) -, a mega produção hollywoodiana sobrepõe os sons de tiros, bombas e explosões ao invés das falas, dando, assim, um poder maior à verdadeira intenção do cineasta britânico: mostrar a guerra e os impactos desta.

A trilha sonora foi produzida por Hans Zimmer – uma parceria que já havia sido realizada em Batman – O Cavaleiro das Trevas  e em A Origem -, com um repertório de 11 faixas ao total; Zimmer deu uma intensidade significativa a essa, criando um laço estrondoso de perfeição sonora.

Embora seja um dos 3 favoritos juntamente com A Forma da Àgua (13 indicações) e Três Anúncios Para um Crime (7 indicações), Dunkirk provou ser um longa metragem no qual a qualidade técnica e artística sobrepõem-se à narrativa; fato que, consequentemente, prejudicou a magnitude total da produção.

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