Filmes

Maratona OSCAR | Lady Bird

Lady Bird é aquele filme morno. Que conduz o espectador por uma via única, sem deixá-lo transpassá-la, transvia-la. Decerto, um filme que acaba dentro da própria sessão de cinema.

Concorrendo em cinco categorias, Lady Bird disputa as indicações de “Melhor Filme”, “Melhor Atriz”, “Melhor Atriz Coadjuvante”, “Melhor Roteiro Original” e “Melhor Direção”.

É incontestável o fato de que Lady Bird é a menina dos olhos do OSCAR 2018, principalmente pela direção de Greta Gerwig, depois dos últimos escândalos de Hollywood, vide à recente premiação Globo de Ouro. É realmente importante termos a presença feminina em categorias tão prestigiadas, mas, infelizmente, Lady Bird não chega a ser exatamente aquele representante feminino tão esperado e comentado.

O marketing exagerado nas redes sociais vendeu um filme “cabeça”, um filme que poderia disputar irmãmente com Call Me By Your Name, se entendermos as duas produções como feitas para adolescentes se identificarem; talvez por estarem passando por situações parecidas, ou simplesmente por conta dos atores principais – Saoirse Ronan e Timotheé Chalamet – serem os queridinhos da garotada.

Ronan, que já esteve em Grande Hotel Budapest (2014), A Hospedeira (2013), e Um Olhar do Paraíso (2009), deu continuidade ao seu crescimento enquanto atriz, transformando-se numa adolescente problemática e perturbada, que prefere ser chamada de “Lady Bird” (Senhora Pássaro), ao invés de seu nome de batismo, Christine. É claro que a sua personagem é a personificação de todo um grupo de jovens que já não aceita mais os dogmas impostos pela Igreja; que ela representa a rebeldia, o não-se-cale, a liberdade. No entanto, o excesso de gritos e brigas da personagem com sua mãe chega a irritar e, principalmente, entediar o espectador durante longos minutos.

[SPOILER]

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A verdade é que Lady Bird é um filme morno. São 1h30m de discussões e crises de adolescente, intercaladas por alguma pitada de romance que, diga-se de passagem, não significa nada para os casais, e menos ainda para o espectador. O personagem de Chalamet, por exemplo, é tão importante quanto a figuração de uma formiga. Gerwig perdeu a chance de colocá-lo como um amigo para Christine, que no fim tivesse seu arco de redenção e crescimento. Ao invés disso, jogou-o lá, fora de contexto, preparou o terreno, e nada aconteceu.

Falhas como essa no roteiro são claras o bastante para percebermos o quanto isso pode ter prejudicado a atuação de um elenco de excelência, como este de Lady Bird. Saoirse Ronan e Laurie Metcalf (mãe de Christine) ficaram restritas a cenas de raiva, e embora Christine seja uma adolescente rebelde o tempo inteiro, ainda conseguimos vê-la se apaixonar e se empolgar por pequenas coisas; Já Metcalf, o papel dela não saiu disso, dessa mãe que, no filme, só aparecia para reclamar e discutir. Por este motivo, é um pouco difícil que a estatueta de “Atriz Coadjuvante” seja dada a ela.

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Tirando esse furos de construções de personagem e trama, temos um enredo curioso e interessante, cheio de grandes possibilidades de abordagens, mas que preferiu se acomodar num ritmo, como já dito, morno, que não traz o espectador para a tela do cinema; apesar de haver muita emoção, Lady Bird é conduzido de maneira distante, como uma história contada sobre sua vizinha, ou a filha de uma pessoa que você conhece. Não é como se fosse sobre nós ou alguém muito próximo. O que é uma grande pena, considerando Call Me By Your Name, seu concorrente, como um filme empático, que fez o que Lady Bird poderia ter feito: explorado os recursos visuais e sonoros para trazer o espectador para seu lado.

A impressão que dá é de que houve uma expectativa muito grande na figura de Christine. Expectativa essa evidenciada no trabalho das cores e luzes ao redor dela, destacando-a sempre do todo; atrás dela, o mundo apagado e levemente azulado. Ao seu redor, cor-de-rosa, avermelhado. Christine, ou melhor, Lady Bird, era para ter sido o ponto alto do filme. No entanto, Ronan carregou uma trama inteira sozinha, como se os demais personagens fossem meros enfeites, ou quem sabe passarinhos, voando ao redor de sua líder, a Senhora Pássaro.

Abaixo, o trailer do filme.

 

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