Críticas

Crítica | Maria Madalena

O novo longa baseado no relato de Maria de Mágdala é um retrato da força feminina e uma voz contra falsas interpretações.

Maria Madalena (Rooney Mara) é uma jovem que começa a questionar os valores da sociedade de sua época ao ser incentivada por seu pai a se casar e engravidar de um homem que mal conhece. Com isso, Jesus (Joaquin Phoenix) é chamado para exorcizar seus demônios e, ao entender que a problemática está em sua família e não em Madalena, a moça decide ser batizada e começar a seguí-lo.

A designação para o papel principal não poderia ser outra; Rooney Mara é a atriz perfeita para uma personagem feminina forte e sensível. Sua expressão é extremamente marcante, ao mesmo tempo em que o jogo corporal é delicado e hipnótico.

Além disso, contamos com a presença de Joaquin Phoenix (protagonista do famoso Her, de 2013) como Jesus. De início, a persona parece se distanciar da lucidez, mas com o passar do filme, Phoenix apresenta uma doçura tão crível que adocica perfeitamente o seu papel.

Talvez por ser escrito por uma dupla de mulheres, a obra apresenta um toque feminino tão necessário. Apesar do roteiro se perder em um certo momento, no qual Madalena perde seu protagonismo para Jesus, as autoras são firmes em trazer o público de volta para a narrativa feminina e justifica as escolhas de seu rumo nos minutos anteriores.

É interessante como os telespectadores esperam o momento em que a personagem virá a se tornar uma prostituta, como é popularmente conhecida. Todavia, a obra quebra esse paradigma e explica a real situação que levou Maria de Mágdala a ser vista dessa forma em suas notas finais.

Há ainda alguns diálogos poderosos sobre a fala das mulheres perante aos homens, e a equidade de gênero se estabelece como necessidade.

A direção de Garth Davis se alinha entre uma suavidade apaixonante e alguns momentos mentalmente caóticos. A tensão durante as cenas em que Madalena é agredida por seus familiares e as cenas que nos deixam entender que Jesus sabe que sua crucificação está próxima são como submergir em amargura.

O trabalho da cenografia não se excede, mas se encontra no lugar certo para ambientar o filme de forma exemplar. As atmosferas desérticas e os pequenos povoados são a característica principal do visual de seu filme, o que mescla formalmente com o figurino.

Maria Madalena é o relato da voz feminina dentro de uma doutrina essencialmente sexista. É um filme que desvia de seus rumos em alguns minutos, mas que não perde sua força.

O filme estreia amanhã (15/03) nos cinemas de todo o Brasil.

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