Séries

Crítica | On My Block

On My Block chegou com aquela homenagem aos latinos radicados nos EUA. Dessa vez, temos uma representação crua, sem estereótipos, e, principalmente, real.

A Netflix vem tentando introduzir séries focadas em minorias e tem feito isso – graças a Deus! – com maestria. Assim como Dear White People (2017), On My Block é contada por um roteirista pertencente à minoria retratada. E isso é fundamental para a veracidade de cada cena, cada texto, e por que não dizer cada bloco?

Os personagens são críveis, e suas histórias também o são. O misticismo está presente, junto à triste realidade marginal dos guetos de L.A onde, indiscutivelmente, existe preconceito, gangues e lendas urbanas.

A parte mais curiosa da premissa é que a temporada começa e termina falando sobre inocência. Sobre o temor dos calouros latinos no Colegial ter uma perspectiva muito além do frio na barriga ao encarar o novo; mais do que isso, esses garotos precisam uns dos outros para terem o mínimo de segurança ao transitar pelo bairro.

No final da temporada, temos a situação mais irônica possível: no meio de uma perspectiva de violência, surge o planejamento de uma festa de debutante, como uma flor no deserto, ou talvez um apelo desesperado de pré-adolescentes que desejam – ou precisam – aproveitar a inocência só mais um pouquinho.

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Ao mesmo tempo, temos a figura de Jamal, que vive algo parecido. Ele encontra uma maneira de esquecer-se da realidade cruel, depositando esperanças numa lenda urbana sobre um certo dinheiro escondido sabe-se-lá onde. Jamal se agarra nisso até enlouquecer. No entanto, essa história secundária termina encaminhando-se para perto da trama principal, tornando-se peça chave para a resolução da temporada.

A escolha de um elenco latino-descendente foi também importante para caracterização de personagens. Na situação atual, qualquer protagonismo, por mínimo que seja, já representa grandes conquistas. E mais do que isso, utilizar atores pertencentes a determinado biotipo genético torna a história mais crível, mais fácil de nos fazer embarcar na ficção, acreditando que tudo aquilo de fato acontece mais vezes do que se possa imaginar.

A paleta de cores representa o tom morno, veranesco, presente em L.A, e, principalmente, no clima predominante na América Latina. Isso pode ser visto não somente nos filtros das câmeras usadas para rodar o filme, mas também no figurino, objetos de decoração, e afins. Como se os protagonistas estivessem num constante mormaço, naquela sensação incômoda de meio-termo, em que não há nada ruim acontecendo (ainda), mas sabemos que, a qualquer momento, o jogo pode virar.

A trilha sonora, bem como o comportamento dos personagens, representa a mistura de culturas daquele bairro latino, que não se restringe a um único povo, como grande parte dos norte-americanos costumam pensar. On My Block traz claramente uma mistura cultural cubana, mexicana, brasileira… Está tudo emaranhado e vivo até mesmo nos protagonistas da nova geração dessas famílias, que, embora nascidos em L.A, transpiram as tradições de suas famílias de origem.

Abaixo, o trailer da temporada.

 

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