Críticas

Crítica | Cidade do Futuro

Exibido em festivais de cinema no ano de 2016, muito bem premiado e agora oficialmente nas salonas do país, Cidade do Futuro traz a junção de perspectivas a frente do seu tempo com um cenário completamente conservador.

A direção de Claúdio Marques e Marília Hughes, em Cidade do Futuro, narra mais a história da cidade em que é contada do que a história dos protagonistas em si.

O cenário, muito bem elaborado, mostra toda a realidade da população da região de Sobradinho, na Bahia, plano de fundo da história do relacionamento poliamor entre dois rapazes e uma garota, que se encontra grávida de um deles. Personagens que carregam os nomes dos seus atores, eles levaram para as telas um roteiro com “debates” e questionamentos sobre viver em um ambiente machista, homofóbico e conservador, sendo parte dessa minoria.

A obra leva por si uma forte temática da realidade da região da Bahia; trouxe uma quantidade grande de monólogos dos moradores da região, maior do que a proposta que estava a ser abordada. Depoimentos de moradores conseguiram mostrar total veracidade do que estava sendo sendo apresentado: as histórias mostram o povo que fora relocado da região do rio e que não obteve nenhum tipo de indenização pelo acontecido, no período da Ditadura brasileira.

Mostrando os reflexos de uma sociedade que se encontra repleta de cicatrizes e paralela a toda essa história, existe o triângulo em que se encontram Gilmar, Milla e Igor(Gilmar Araujo, Milla Suzart e Igor Santos). Todos sentem o fator de se sentirem excluídos por conta da sua orientação sexual, sentem que não podem se expressar afetivamente como os outros casais. Se tornam, então, vítimas dessa sociedade conservadora e heteronormativa, tendo receio de sair na rua sem ter que ouvir comentários pejorativos, ofensas, e até mesmo sofrerem agressões físicas.

Mesmo com falta de falas durante a obra, o filme consegue levar força para os diálogos, os quais não podem ser menosprezados. Quando existem, há uma importância tamanha dessa representatividade no cenário cinematográfico brasileiro. A história, além de dar voz ao roteiro, levanta a bandeira de uma comunidade, lembra da existência e da tamanha importância que existe em dar a voz para essas pessoas.

Existe empatia do telespectador em reconhecer a veracidade da situação apresentada pelos roteiristas. Mesmo que haja um conflito de ideias, ao juntar esses temas eles conseguiram mostrar um serviço muito bem feito na obra. Gilmar, Igor e Milla, mesmo mostrando certo desconforto no começo, conseguem exibir isso com certa transparência no início da obra.

Contudo, “Cidade do futuro” entrega uma grande dose de representatividade ao lado de temas extremamente polêmicos para tal sociedade. Dando um show de direção de imagem e uma trilha sonora que varia desde Pixies à Jads e Jadson, mesclando uma realidade com ficção, transparecendo na obra  a necessidade que essas pessoas possuíam para serem ouvidas.

Anúncios

Categorias:Críticas

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s