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Análise | 13 Reasons Why – 2ª Temporada

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O aviso de gatilho, presente no início da temporada, foi a forma que o serviço de streaming encontrou para aliviar a barra deles em relação a tragédia acontecida semanas depois do lançamento.


A segunda temporada de 13 Reasons Why teve a sua carga de comoção extrema diminuída, principalmente a partir da humanização de alguns personagens; porém, a banalização do suicídio se torna tão forte quanto na primeira, principalmente a partir da ferramenta de reforço às questões apresentadas anteriormente.

A narrativa continua não dando voz a reflexões importantes, que já deveriam ter sido apresentadas anteriormente. A questão do papel social de magnitude da escola continua sendo ignorada, principalmente no vetor do julgamento ser o plot principal desta segunda parte. Teria uma importância maior e teriam dado uma voz aos questionamentos – fracos, nós diríamos – sobre o papel da escola como uma das principais redes de apoio à criança e ao adolescente, caso a narrativa tivesse trazido questões sobre como a escola deveria agir. O primeiro episódio, por exemplo, seria o espaço ideal para trazer o início destes questionamentos; porém, em quase 1 hora de duração, nenhumas destas questões supracitadas foram abordadas – eles preferiram seguir pelo mesmo caminho que seguiram antes.

[ALERTA DE SPOILER]
Olivia Baker (Kate Walsh), mãe de Hannah Baker (Katherine Langford), precisaria de um apoio psicológico. Apesar da narrativa ignorar a questão supracitada, o processo de intervenção ao suicídio deve ser realizado, levando em conta o sujeito em risco e a família. Mesmo que a participação da mesma seja pequena, o papel da família possui grande importância no mecanismo de prevenção. No entanto, o processo interventivo não deve ser percebido como 100% eficaz, pois, mesmo com o processo supracitado, o suicídio ainda tem chance de aparecer nesta equação; e, caso apareça, o processo de intervenção não para, mas sim continua em favor da família.

Olivia ainda guarda a roupa suja de sangue que ela estava usando quando encontrou Hannah morta, um fato que traz o segundo questionamento: quem está olhando para esta mãe? Quem está envolvido no processo de alívio do seu sofrimento? Se um dos objetivos principais de 13 Reasons Why é criar um espaço de debate sobre o tema, por que, então, questões como estas, relacionadas a família da adolescente, não foram incluídas dentro da narrativa?

Se o intuito fosse realmente este, debates assim teriam sido abordados; porém, em 13 episódios o caminho a ser seguido banha-se na ideologia de transformar Olivia Baker como uma mãe desesperada que tenta de todas as maneiras jogar o corpo fora em relação à morte da filha.

Apesar disso, a segunda temporada traz um lado mais humano de várias personagens e a visão delas da história narradas nas fitas, principalmente em relação a Jessica Davis (Alisha Boe) e Alex Standall (Miles Heizer). Ao contarem a sua versão dos fatos, fica claro que, apesar da situação ser um dos fatores que levou Hannah ao suicídio, eles não tinham a verdadeira intenção de magoar a amiga, e que nada foi feito de propósito. O grafismo presente, principalmente na cena de estupro de Tyler Down (Devin Druid) ou ao humanizarem demais as atitudes de Justin Foley (Brandon Flynn), de ter visto a namorada ser estuprada e não fazer nada para impedir o ato, ajudam a diminuir, dentro da narrativa, a humanização dos personagens supracitados.

A narrativa da nova temporada continua ignorando as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e, principalmente, dos profissionais da saúde mental, um fato que continua mostrando como o discurso apresentado é inválido e negativo. Em 13 episódios de quase uma hora de duração, nenhum psicólogo ou psiquiatra ganha uma voz de força dentro da narrativa, provando mais uma vez que o principal intuito não é criar um ambiente ambiente reflexivo, e sim utilizar a banalização do suicídio como arma para gerar lucro.

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