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Crítica | Han Solo: Uma História Star Wars

Han Solo: Uma História Star Wars nos leva a muito, muito tempo atrás, em nossas muitas matinês de cinema, regadas a toddynho e biscoito recheado.

O cinema sempre foi, em sua essência, a arte de mostrar histórias. Não contar, mostrar. Colocar na tela o que o narrador quer que seu espectador veja. E, nesse ofício, George Lucas sempre foi mestre. Infelizmente, os filmes mais recentes do universo Star WarsO Despertar da Força (2015),  Os Últimos Jedi (2017) -, apesar de esteticamente bonitos e bem produzidos, não pareciam completos. Alguma peça estava faltando. Em Han Solo, ao contrário, essa pecinha não somente aparece, como nos leva ao passado, a muito, muito tempo atrás, numa galáxia muito mais distante do que a mostrada pra nós nos últimos anos.

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Embora nosso mestre Lucas tenha passado o bastão para Kathleen Kennedy – nova presidente da LucasFilm – , em Han Solo podemos reencontrá-lo todo o tempo entre os diálogos, viajando nas corridas de aeronave e exalando a pureza e simplicidade de Han (Alden Ehrenreich), personagem pelo qual todos nós já nos apaixonamos. E, talvez, seja justamente esta a diferença positiva desta prequel em relação à última trilogia: de nada adianta um bom cenário, um bom roteiro, um exagero de CGI, se os personagens novos não fazem o espectador adorá-los, no sentido literal da palavra.

A história de Han, nesse filme, foi como ler uma HQ. Ou assistir à Sessão da Tarde. Um enredo simples, divertido, feito com o propósito original: trazer uma experiência de fuga, um pouco similar ao que James Barrie fez ao inventar a Terra do Nunca. Dessa mesma maneira, voltamos à nossa infância e àqueles filmes com baixíssimo apelo comercial, que costumávamos assistir nas matinês com os amiguinhos da escola. Sem a preocupação em problematizar ou teorizar. Apenas o envolvimento cinematográfico puro de uma criança vislumbrada pelo fofíssimo Chewie (Joonas Suotamo), o bondoso Han, a corajosa Q’ira (Emilia Clarke), e o charmoso Lando (Donald Glover).

Mas, embora Ron Howard tenha deixado de lado o exagero de CGI, a estética de Han Solo continua tão bonita quanto qualquer outro filme Star Wars. As mesmas cores contrastantes, moderadas, aproveitando-se do que hoje temos de melhor na tecnologia do cinema, na dose certa, e impulsionando-se para o futuro sem, contudo, esquecer-se do passado. Uma transformação para melhor, com toda a certeza.

Alguns planos de filmagem foram recriados, tanto nos pôsteres de divulgação, quanto no próprio filme. E isto é mais do que essencial para essa atmosfera nostálgica, em que duas – até mesmo três – gerações de fãs de Star Wars compartilham a paixão pela saga. Os mais antigos pela saudade, os mais novos pela curiosidade.

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Infelizmente, se a intenção era tornar Han Solo um tributo aos filmes antigos, ele só não o foi por dois detalhes quase insignificantes, mas que fizeram falta: a trilha instrumental quase inexistente, e a já clássica abertura de texto em 3D no meio da galáxia sideral.

Embora esta abertura seja tosca o bastante para ser confundida com uma animação em WordArt, ela traz história, nostalgia e sentimento de pertencimento. A long, long, time ago, in a galaxy far far away.... Será que eles se esqueceram? Ao invés disso, temos uma abertura que lembra mais Blade Runner (1982), e menos Star Wars. No entanto, o texto nem entraria em debate se nosso 3D em WordArt estivesse lá, verdade seja dita.

De qualquer maneira, mesmo faltando trilha musical, mesmo faltando a abertura clássica, Han Solo cumpriu sua promessa em mostrar 2h30min de história em cenas simples, objetivas, sem espaço para os roncadores de plantão, e em trazer uma aventura divertida e inocente, do jeitinho que o seu protagonista é.

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