Críticas

Crítica | Grey’s Anatomy – 14ª Temporada

O que ainda pode ser feito depois de tanto tempo?

Grey’s Anatomy está no caminho para se tornar uma das séries mais longas da história, com 16 temporadas confirmadas e o fim da sua 14ª no dia 17/05, com a qual atingiu a marca de 300 episódios.

O sucesso em estender tanto um programa baseado em seu sucesso é debatível. A própria Shonda Rhimes, criadora da série, confessou ter pensando em um final para a série que, depois de certo tempo, simplesmente não servia mais. A maior parte do elenco original não faz mais parte da produção e alguns do que restaram parecem estar em seus últimos momentos. Independentemente de tudo isso, a série ainda faz um sucesso estrondoso e tem um fandom dedicado.

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[ALERTA DE SPOILER]

Talvez a maior virtude da décima quarta temporada seja resolver diversos problemas de inconsistência narrativa que inevitavelmente surgem quando é necessário coordenar tantas personagens por tanto tempo. O melhor exemplo, logo no início, é a chocante revelação com a personagem de Caterina Scorsone, Amelia Sheperd, que descobre estar com um enorme tumor no lobo frontal, o que explicaria tantas atitudes descoordenadas e inconsequentes que, previamente, faziam dela um apêndice irritante.

Por outro lado, o cirurgião Owen Hunt (Kevin McKidd), após se separar da nova e saudável Amelia, passa boa parte da temporada sem rumo e sem importância no contexto geral, até que é retomada uma narrativa anterior e – provavelmente – esquecida da sua enorme vontade de ser pai, o que rende cenas de inevitável doçura e deixa sua personagem menos unidimensional.

A série segue com seu ritmo acelerado e – ufa! – conseguimos navegar pela temporada sem grandes catástrofes matando nossos conhecidos “doutores”. A narração de Ellen Pompeo, elo fulcral da série, que, na ideia original de Shonda Rhimes, era para ser uma suave conversa com sua mãe – que sofria de Alzheimer -, sempre tem uma forma de unir todos os acontecimentos do episódio e de prover o que se passa na cabeça de Meredith Grey.

Rhimes consegue suceder, mais uma vez, em trazer assuntos de extrema importância à tona. O debate é rico e diversificado durante os 24 episódios: violência policial contra a população negra, assédio sexual, taxas de mortalidade nos partos dentro dos Estados Unidos, transexualidade, saúde da mulher negra, relacionamentos abusivos… e não para por aí. A representatividade e a militância dentro de uma série que, aparentemente, só tem “drama”, explica em boa parte a adesão que ela inspira até hoje.

Como é de costume, esse foi um momento de se despedir de mais duas pesonagens: April Kepner (Sarah Drew) e Arizona Robbins (Jessica Capshaw). Acostumados com tantas mortes, os fãs levaram um bom susto no episódio 23, “Cold as Ice”, mas acabou sendo um alerta falso e todos saíram aliviados. O episódio tem um paralelo que ilustra muito bem a relação entre April e Jackson (Jesse Williams), dando um certo fechamento à sua jornada conjunta que deixa os fãs de “Japril” com o coração na mão.

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A trilha sonora é muito presente na trama, dando um ritmo geralmente animado no início, em alusão a o que pode ser o início do dia, e aos poucos se adaptando ao arco em si, tal qual feito desde a primeira temporada. Os próprios nomes dos episódios são sempre dados em referência a uma canção – temos “Who Lives, Who Dies, Who Tells Your Story”, “(Don’t Fear) The Reaper”, “All of Me”… A música é, ainda, um dos elementos que ajuda a emocionar os telespectadores, algo de praxe nesse universo.

O crescimento da personagem de Jesse Williams, Jackson Avery, é exponencial desde a temporada anterior. Ele diverte, comove, emociona e dá uma certa pontada de orgulho do quanto é capaz de crescer como pessoa. Se alguém além de Meredith Grey é multimensional nesse show, é ele.

Falando da chefe de cirurgia geral, Grey tem uma aparição muito mais madura nesse momento. A trajetória profissional tem um grande espaço, mostrando sua capacidade inovativa e toda a inteligência que a leva a ganhar seu próprio Prêmio Harper Avery, elemento quase folclórico, que é um sonho desde seus anos de interna. Também podemos ver ela como suporte para outras personagens, atuando com a personalidade leal que lhe é característica. Essas continuidades são o que mantém a coesão do todo, pois sempre podemos nos voltar para um comportamento ao qual estamos acostumados e que faz perfeito sentido.

É, ainda, significativo como a série faz a sua parte para mostrar como dessacralizar homens considerados intocáveis, como foi feito com a própria lenda Harper Avery (interpretado por Chelcie Ross em temporadas anteriores). Infelizmente, dizer mais do que isso seria estragar uma grande construção dessa temporada.

Depois de perder o ritmo por temporadas seguidas, Grey’s Anatomy consegue retomar o equilíbrio entre os seus lados dramático e médico, amarrando a história de personagens que vinham se arrastando sem limites e deixando que outras sigam os seus caminhos de forma mais natural, tudo isso enquanto mantém a sua personagem central fiel e coerente com 13 anos de produção. É uma retomada de fôlego bem vinda e o começo de mais um desafio. Que venha a 15ª.

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