Críticas

Crítica | A morte de Stalin

O filme que satiriza a morte de Stalin é um drama tragicômico que ultrapassa os limites de uma narrativa monótona, tendo sido proibido na Rússia por fazer do ditador um motivo de piada.

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Quem assistiu a O Destino de uma Nação (2017), irá se familiarizar com a abordagem cômica de A Morte de Stalin. A película, que supõe-se ser uma biografia séria sobre os meses de caos que seguiram a cena da União Soviética após a morte do seu líder, utiliza-se da comédia para mostrar a luta por poder dentre os membros do próprio partido.

Após a morte de Stalin, o comitê do ditador se reúne para discutir quem irá assumir o poder em seu lugar e quais medidas serão alteradas para possibilitar a continuidade da, até então, União Soviética. A cena em que o corpo é encontrado é, definitivamente, uma das mais divertidas de todo o filme. Eles dissecam o comitê de um por um, mostrando a entrada e reação de cada um dos membros do partido, desde os que estavam esperando esse momento para tentar a tomada do poder até os que, apesar de se importarem, ainda têm interesses políticos completamente mais relevantes do que a velha “camaradagem”.

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Lavrenti Beria (Simon Russell Beale), é o primeiro a demonstrar a satisfação com a fragilidade do momento. Ele é o mais dissimulado entre todos os membros; ao menos, é o que mais exterioriza as segundas intenções. Aproveita-se do cargo de Malenkov (Jeffrey Tambor) para manipulá-lo a agir da forma que planeja e, assim, Beria começa a trocar os exércitos e dar ordens de novos fuzilamentos – e até mesmo impedir novas execuções – com o objetivo único de assumir o poder de dentro do comitê para fora, aos poucos.

Quando começa a descobrir os planos de Beria, Nikita Khrushchev (Steve Buscemi) planeja todo um complô entre os membros internos do partido para executá-lo. O filme trata Khrushchev como um grande herói, quando, na verdade, esse possuía os mesmos intuitos, de maneira um pouco mais singela, porém ainda violenta. Uma prova disso é a maneira como Beria é executado por suas ações e como Khrushchev influencia e manipula todos os membros para concordarem com a ordem de morte.

Todas as personagens são extremamente problemáticas e isso é um reflexo do cenário político em que vivem. Todos são porcos e ninguém realmente tem uma ideia do que está acontecendo.

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O humor ácido ajuda a aliviar os momentos de tensão, que deveriam ser a maior parte do filme. Porém, graças ao roteiro descontraído de Armando Iannucci, a história toma uma percepção jamais esperada pelo espectador e impressiona em sua capacidade cognitiva de entreter o seu público.

Além disso, o fato de Iannucci ser responsável pela direção e roteiro ajuda a película a ter um visual compatível com a narrativa que o conduz. As cenas são ambientadas de forma séria, com cortes secos e que possuem um dinamismo perfeito para a comédia amarga que carrega.

O filme é claro na maior parte do tempo e a escolha de cores opacas serve justamente para destacar o vermelho que, nessa obra em específico, é extremamente simbólico.

Sendo assim, A Morte de Stalin é um filme biográfico, divertido, que altera a percepção de seu espectador em relação à situação que aborda e deixa espaço para diversas críticas políticas, não somente do regime soviético, mas de todas as lideranças que tomavam conta daquele tempo.

O filme já está em cartaz nos cinemas de todo o Brasil.

 

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