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Crítica | Sense8 – Amor Vincit Omnia (Episódio final)

Se o fandom de Sense8 achava que a série ainda tinha muito para dar, agora ele tem certeza.

O episódio final da série, Amor Vincit Omnia, ou “o amor conquista tudo”, se esforça ao máximo para condensar em duas horas e meia um conteúdo que poderia ser muito melhor desenvolvido em mais duas temporadas, mas que não teve essa oportunidade.

Como prevê o próprio nome, essa narrativa se desenvolve em volta das conexões entre as personagens, que tanto inspiraram os fãs. Mais importante do que resolver as questões burocráticas é resolver as vidas de Sun Bak (Doona Bae), Nomi Marks (Jamie Clayton), Kala Dandekar (Tina Desai), Riley Blue (Tuppence Middleton), Wolfgang Bogdanow (Max Riemelt), Lito Rodriguez (Miguel Ángel Silvestre), Capheus Onyango (Toby Onwumere) e Will Gorski (Brian J. Smith).

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Para quem está há um ano sem ver a série, o começo do episódio fica ligeiramente confuso. Muitos detalhes se perderam e o espaço de tempo não é suficiente para reavivar todos, ainda que os roteiristas tentem suprir as necessidades mais urgentes. Ainda assim, não deixa de ser extremamente cativante pela proximidade aguçada do cluster, inclusive fisicamente – todos eles estão em fuga juntos e lutando para libertar Wolfgang da OBP (Organização de Proteção Biológica), a organização criminosa da série que persegue os sensates.

A rapidez com que novas informações chegam e são divulgadas aguçam a percepção de corrida contra o tempo – mais uma vez, reiteramos que a série poderia esmiuçar com perfeição mais momentos, caso tivesse o espaço para isso. Algumas histórias aqui são deixadas de lado, principalmente aquelas que já se encontravam bem encaminhadas no final da temporada 2, a exemplo de Lito e Capheus, com suas respectivas vidas amorosas bem resolvidas. Esse é um traço marcante nas duas horas: o amor dentro do cluster e fora dele é explorado sem culpa, e ao mesmo tempo sem prejudicar a narrativa geral.

Mesmo sem desenvolvimento de detalhes pessoais, todos participam na construção dos planos e é através dessa cumplicidade que a série consegue envolver suas oito personagens principais. Toby Onwumere é um exemplo de como ser marcante em cada momento, pois transforma Capheus, além do alívio cômico, num amigo fiel.

Alguns personagens que são, teoricamente, secundários merecem destaque pelo episódio e pela contribuição na série como um todo: Amanita Caplan (Freema Agyeman), cuja história de amor não a impede de ser um espírito livre, independente e forte; Daniela (Eréndira Ibarra), que não deixa de nos relembrar a sua personalidade marcante; Rajan (Purab Kohli), que nos faz acreditar na pureza que existe no amor pela forma como busca proteger Kala; o Detetive Mun (Sukku Son), que consegue trabalhar bem seus momentos em cena; e Bug (Michael X. Sommers), o alívio cômico mais bem encaixado da série, presença obrigatória nesse último momento de união.

Um aspecto crucial nesse episódio é que nenhuma das personagens perde a própria individualidade. Isso faz com que eles sejam relacionáveis e tenham diversas camadas através da quais podemos entendê-los melhor.

A exploração de outra face de Sun, no que se refere ao amor eros, é muito bem-vinda depois de todo o sofrimento e a dor que ela vivenciou nas temporadas anteriores. Ela e Mun precisam de muito menos para convencer do que outros casais da série e é interessante observar o desenvolvimento de uma relação entre opostos.

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O triângulo entre Kala, Rajan e Wolfgang é um elemento interessante e que rende boas risadas, além de ter um desfecho nada esperado. O tão esperado casamento entre Nomi e Amanita também garante emoção a essa trama final. Como um todo, o episódio busca satisfazer aos seus fãs que tanto pediram um desfecho – sim, o nome é fanservice, mas é fanservice de qualidade.

Mesmo que muitas facilitações narrativas tenham sido utilizadas, o telespectador entende e acha até certa graça, pois o roteiro não tem medo de escondê-las – pelo contrário, ele usa metalinguagem para tratar de si mesmo como algo ligeiramente questionável. Temos espaço para rir, temer, chorar, nos impressionar e ainda ficar com um gostinho de quero mais.

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As cenas, especialmente as de luta, são muito bem coreografadas, e a série não poupa tempo nelas. Existe uma sincronia e uma harmonia mesmo dentro do caos dos conflitos. A direção de  Lana Wachowski é muito habilidosa em captar cada núcleo desse elenco de acordo com seu ritmo específico. 

A trilha sonora, sempre presente e pulsante, continua a ter um espaço importante e sua conotação de união das partes, rendendo bons momentos que nos remetem a nostalgias anteriores.

É assim que Sense8 termina a sua jornada: buscando o melhor de todas as personagens, da ação, do amor e do fanservice. E somos gratos a isso.

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