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Crítica | The Fosters – Temporada Final

Depois de cinco temporadas, a jornada dessa família mais que improvável chega ao fim – ou será que não?

Tentando se recuperar de uma quarta temporada arrastada e quase sem sentido, The Fosters volta com a conhecida força de narrativa para ensaiar um adeus ao seu público.

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Consertar as incoerências da trama anterior não se mostrou tarefa fácil, como não pode ser (Grey’s Anatomy que fale sobre a dificuldade de se reestruturar depois de um ou dois – ou trinta – exageros). Por isso, o correr da temporada dá a constante sensação de que não é possível amarrar tudo que falta com o tempo disponível, o que se mostra verdade a partir das reviravoltas de último minuto para que as personagens cheguem aonde é desejado.

Jesus (Noah Centineo) sofre um traumatismo craniano sério no final da temporada anterior e, agora, poderemos ver as consequências desse acidente se desenrolarem e trazerem mais uma reflexão para a longa lista de temas importantes com os quais a série trata. Enquanto ele tenta lidar com o TBI, a incapacidade de traumatismo craniano, seu relacionamento com Emma (Amanda Leighton) parece uma espécie de bote salva-vidas ao qual ele se agarra, mas não conseguimos visualizar bem o relacionamento. Isso se dá principalmente devido ao fato de que a personagem de Leighton foi subdesenvolvida durante toda a temporada, sendo chata ou fofa quando fosse necessário, apenas facilitando algumas decisões de roteiro.

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Foto ilustrativa de como Emma está à margem da narrativa

Um destaque dessa temporada é a discussão sobre imigração, principalmente no que se refere à prisão e extradição forçada de pessoas que viveram a maior parte de suas vidas nos Estados Unidos. Essa abordagem tinha acontecido com Lexi (Bianca A. Santos), amiga de Mariana (Cierra Ramirez), e volta com Ximena (Lisseth Chavez), colega de Callie (Maia Mitchell) e treinadora do time de derby.

A passagem dela pela série é forte e significativa, gerando uma boa quantidade de lágrimas, uma vez que fizeram de Ximena uma das poucas personagens com camadas da temporada. O balanço entre o desenvolvimento do núcleo principal e dos secundários, conhecidos ou novos, não foi bem feito, de onde tiramos várias outras Emmas – meras facilitações narrativas.

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A grande revelação desse capítulo final é o lado mais humano e frágil de Stef (Teri Polo), que passa por difíceis momentos de ansiedade e baixa auto estima. A volta de uma amiga de infância para a cidade traz à tona lembranças do seu conturbado processo de aceitação e da forma como ela se adequou ao modelo que a família fez dela, ao invés de se libertar das amarras heteronormativas, por tantos anos – e o por quê.

Polo é uma força da natureza, destacando tudo de que sua personagem sempre foi a mais privada – os seus sentimentos. É um momento de busca de harmonia, não somente para ela como para Mariana, que se surpreende sem amigos e sem seu espaço de empoderamento, e para Lena, que precisa encontrar a determinação para sair das margens do processo e agir.

Callie e Brandon (David Lambert) podem ainda ser o ship de muitos fãs, e vê-los retomando sua amizade vai trazer velhos sentimentos de volta. Ainda assim, é uma outra forma de companheirismo que podemos ver entre os dois, que estão envolvidos em problemas tão diferentes e distantes.

Brandon tem um arco, durante toda a série, marcado por escolhas ligadas às mulheres da sua vida. Ele se sente como um protetor, e quase nunca o vemos sem um interesse amoroso, o que é reconhecido pelo próprio roteiro nesse momento. É incômodo, de certa forma, notar como ele foi incapaz de sustentar uma vida pessoal tão rica sem que uma paixão avassaladora estivesse em curso – e foram muitas. Todo esse drama pós-Callie poderia ser salvo e deixado para o ato final, quando ele conhece Grace (Meg DeLacy), a garota meio sem noção que não convence ninguém de início, mas que tem um passado carregado que a consagra como um marco.

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Callie nos preocupa até o fim. Por mais que ela tenha tido tempo e espaço para evoluir, ela continua travada pela falta de segurança e acaba se mostrando mais indecisa do que nunca. Em alguns momentos, ela sofre as consequências; em outros, não. É como AJ (Tom Williamson) diz – ainda que, quando ele disse, nós tivemos um pouco de raiva -, tudo com ela é muito mais difícil do que precisa ser.

Ainda que tenha feito esperar, os três últimos episódios valem a pena como uma amarra final, mantendo o ritmo dramático, divertido e apaixonante. The Fosters não está dizendo adeus, pois o spin-offGood Trouble, já está confirmado. Mas é sempre bom garantir que os fãs tenham um bom lugar para voltar.

 

 

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