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História do Cinema #1 | A invenção do Cinematógrafo e as primeiras exibições

No século XIX, a fotografia assumira, há menos de setenta anos, o papel principal, que era da pintura, como registro biográfico e histórico. Poucos anos depois, é criada a imagem em movimento, o impulso principal para a invenção do Cinema.

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Com o avanço da Primeira Revolução Industrial, as máquinas ocuparam, num processo contínuo, uma linha ativa na vida dos indivíduos e da atuação social conjunta. As pessoas passaram a migrar cada vez mais para as grandes cidades e a interagirem cada vez menos com a produção direta daquilo que era consumido.

Dessa forma, houve uma inovação em toda a indústria e nos meios de produção. A renovação do bem-estar e das luxúrias pessoais é uma forte marca do avanço tecnológico. A criação de automóveis dispôs maior velocidade para a mobilidade, o que também facilitou com que os filmes chegassem mais rapidamente de um local para o outro – aspecto discutido posteriormente.

Tudo começa na fotografia, que foi inventada em 1827. A máquina fotográfica nada mais era que uma câmara escura com a capacidade de abertura de um obturador que trazia luz e, com esta, a capacidade de registrar em imagens reais pessoas, objetos ou paisagens. Até então, a passagem entre pintura e fotografia havia sido sentida, mas de maneira muito menos catastrófica, pois ambas ainda causavam certo “comodismo” naqueles que as olhavam.

A criação do cinema é, na verdade, muito controversa. Não há uma discussão que esclareça quem foi o verdadeiro inventor, visto que vários fotógrafos e cientistas ao redor do mundo estavam trabalhando para criar a máquina ao mesmo tempo – o erro de alguns foi não patentear seu invento e, o de outros, possuir limitações que poderiam ser ultrapassadas por demais inventores naquela época.

Comecemos com a corrente científica que buscava estudar as imagens em movimento de maneira a acrescer seus objetos de pesquisa. É dito que Thomas Edison criou o cinetoscópio, mas o fato é que o objeto foi inventado, na verdade, pelo seu assistente, William Dickson, e Edison apenas o ajudou a aprimorar e colocar em prática.

A invenção consistia, basicamente, em uma caixa onde o espectador poderia colocar um de seus olhos e assistir as imagens moverem-se por camadas. Isso restringia a película a um único espectador por vez, além de possuir um tempo mais demorado para a passagem entre uma frame e outra. Essa técnica foi utilizada por ilustradores dentro do cinema de animação por décadas, sendo o impulso primordial de artistas renomados como Walt Disney – mas, na sua época, já eram feitos em papel para serem exibidos em tela grande para todo um público e não em uma espécie de roda giratória onde cada espectador poderia ter uma chance de visualizar o conteúdo.

Com o rolo de câmera, Louis Le Prince consegue gravar as primeiras imagens em movimento que viriam a se tornar precursoras do cinema. Na Grã-Bretanha, Leeds, em 1888, ele filma uma carruagem sendo puxada por cavalos. O curta-metragem recebeu o nome de Leeds Bridge. Apesar de poder ser considerado o primeiro filme do cinema, não ficou por assim conhecido devido ao fato de este ainda ser restrito a apenas um telespectador.

Baseado no cinetoscópio, em 1892, Léon Bouly desenvolve o primeiro Cinematógrafo. Bouly não possuía dinheiro suficiente para arcar com as despesas de patentear sua obra, o que fez com que, três anos mais tarde, Auguste e Louis Lumière ficassem oficialmente conhecidos como os inventores do cinematógrafo, após registrarem o invento.

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A saída da Fábrica Lumière em Lyon (1895) foi o primeiro “teste” dos irmãos a ser exibido. Era apenas uma película simples e documental, que registrava os funcionários em seu cotidiano.

Em 28 de dezembro de 1895, os irmãos Lumière apresentam no Grand Café, em Paris, numa sessão aberta ao público, o que viria a ser a revolucionária “primeira” película cinematográfica: A Chegada do Trem na Estação. A obra, que possui apenas poucos segundos, causou uma comoção tão gigantesca para a plateia que a assistiu que alguns dos membros presentes no local assustaram-se, pensando que o trem iria sair da tela e atropelá-los. Essa foi uma reação impactante e que demonstra o choque do público ao receber, pela primeira vez, a informação em movimento do registro fílmico em tela grande. É um estudo cinematográfico e psicológico sobre a relação do cinema com o seu público, a capacidade de chocar e comover, de causar mudanças físicas, hormonais, como o impulsionamento da adrenalina no organismo.

Sendo assim, o cinema não é apenas um invento convencional, feito meramente para registrar ou agradar o público, mas também uma espécie de teste científico, psiquiátrico e antropológico sobre o comportamento humano desde a psique individual até a influência de uma plateia na reação corporal de cada indivíduo.

Cineastas passaram a surgir em maior quantidade após o engenheiro inglês Robert William Paul, baseando-se nas criações de Edison e dos Lumière, começar a vender câmeras que exerciam funções similares às projetadas para o cinema, o que impulsionou a Escola Brighton de cineastas, que recebeu como um dos mais importantes nomes George Albert Smith.

Smith, por sua vez, criou sua própria câmera em conceito de filmagem: acrescentou algumas “gambiarras” a sua fotografia, como um veludo para dispersar o fundo do cenário e dar maior conjuntura e foco de cena para o trem e para a inclusão de um “fantasma” que seria parte regente de sua obra, a qual ficou conhecida como Os Irmãos Corso (1898). Além disso, ele também foi um dos primeiros cineastas a retratarem filmes de ação. Ele não apenas os filmava, como também os exibia rebobinados, ou seja, ao contrário, dando uma impressão diferenciada para o seu público.

A noção de plano dada por Smith, quando resolveu centralizar o trem na tela, de maneira que o objeto estivesse em maior contato com o público, foi uma das primeiras noções de plano cinematográfico, que foi evoluída mais à frente com o renomado Meliés, a quem iremos estudar na parte #2 de História do Cinema.

Referências Bibliográficas:
COUSINS, Mark. História do Cinema. Edimburgo, 2004.
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