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Crítica | The Handmaid’s Tale – 2ª temporada

Com todo o alvoroço de Gilead, nessa temporada o telespectador vai sofrer com sua ansiedade em torno das personagens.

A série, que traz uma alusão a um regime totalitário baseado em ideais religiosos, exibe todos os pontos de construção do regime aplicado em Gilead. Esse é um fator interessante, pois, como telespectador, você estará entretido nos episódios para descobrir um pouco mais de como se originou esse regime, como Serena conseguiu o seu posicionamento e as histórias de personagens como Emily, Fred, e até mesmo um pouco mais de Moira e June – nossa personagem central.

[ALERTA DE SPOILER]

No primeiro episódio temos a saga de June (Offred, para Gilead), grávida e fugindo de seus respectivos ‘donos’. Ela, no decorrer dos episódios iniciais, vai perceber como se originou o regime totalitário, vendo os aspectos fortes e negativos que se expandiram com a execução de diversas pessoas que foram “contra” o posicionamento do novo governo implantado, que até então se chamaria República de Gilead.

Sem ter muito no que se basear na obra de Margareth Atwood, a direção e a produção tiveram total liberdade no processo de criação, sem deixar a essência da série de lado – ainda é preciso ter um psicológico preparado para as cenas fortes dessa série. O mesmo episódio pretende mostrar um suposto sacrifício de suas aias, com uma trilha sonora excepcional, o que traz um impacto enorme pra quem está assistindo.

Por outro lado, como ápice emocional de June, e sempre segurando o lado do psicológico de Offred, Nick consegue manter sua atuação convincente e ajudá-la, mesmo que isso signifique ir contra a vontade de Fred e Serena. Existem alguns momentos nessa temporada nos quais ele irá se mostrar aberto e compreender o amor de June por Luke.

Ele também irá se casar, em um procedimento de Gilead, um casamento arranjado e nitidamente com uma menor de idade; apesar dos apesares, no conceito da Gilead as mulheres servem apenas para servir os seus homens e a necessidade em agradá-los está sendo passada para as menores. Isso aparece na personagem de Eden, que vai ser inserida a partir do episódio 5 da temporada.

Eden vai ser uma peça chave para mostrar que alguns personagens ainda podem ser “humanos”. Pelo fato de ter apenas cerca de 15 anos, ela ainda não conhece muito da vida e se sente rejeitada por Nick em vários momentos, e por isso ela acaba se apaixonando por outra pessoa e conhecendo mais sobre o sentimento do amor. Eden é essencial pro sentimentalismo quase inexistente em Serena, que vai ensiná-la muitas coisas ao longo da trama.

Emily

Muitos esperavam que a dinâmica da personagem permanecesse sem fala, apenas com os olhos. A história dela se torna essencial, ao mostrar como uma pessoa que desacreditava no sistema foi afetada drasticamente, a ponto de perder sua família por não poder embarcar para o Canadá e perder, também, seu direito de lecionar.

Pessoas passaram a retornar aos “armários”, para que não fossem caracterizadas como “traidores de gênero” e mortos durante o regime. Emily, então, se sente à vontade na colônia, onde, mesmo com todo sofrimento, ela tem a oportunidade de cuidar das aias e colocar o pouco de todo seu grandioso conhecimento em prática.

Serena Waterford

Que fica claro que Serena sempre foi uma mulher de muito poder, isso é um fato.

Nessa temporada, o intuito foi mostrar como ela chegou àquela posição, o que ela fez, como ela fez e quando. Mesmo tida como “contraditória” por conta de seus ideais, compartilhados e manipulados por Fred, ela foi peça chave para o movimento de criação de Gilead ser um sucesso. Como uma das idealizadoras, ao lado de Fred e do arquiteto, Serena é muito importante em sua posição.

A dinâmica usufruída na série é de mostrar os altos e baixos da personagem, desde os seus pontos supostamente mais humanos aos mais sociopatas, mostrando que nem sempre ela é 100% de acordo com a Gilead, principalmente quando tem seu posicionamento afetado. Você pode se afeiçoar a ela, mas muito cuidado: Serena tem grandes características de sociopatia e faz de tudo, até matar para conseguir o que quer.

Mesmo com todo o ideal e a esperança da redenção dessa personagem nessa temporada, o sonho dela se redimir vai precisar ser guardado para as próximas temporadas. Quando você pensa que ela não é capaz de fazer, ela vai e faz.

Fred Waterford

O vilão permanece vilão, sem o menor intuito de se redimir.

A obsessão por June se evidencia cada vez mais nessa temporada. Fred não é apaixonado, é apenas alguém que, assim como Serena, faz tudo pra conseguir o que quer, mesmo que isso signifique utilizar o emocional da pessoa contra ela, para que tenha um desenvolvimento supostamente melhor.
Dessa vez, ele vai levar todo o seu conhecimento de Gilead para fora, o que será polêmico, mas coisas acontecem e fazem com que esse episódio de Fred se desenvolva como o começo de uma “provável” queda do regime, que já se mostrava desestabilizado após o atentado organizado por suas aias.

Moira e Luke – Sobreviventes do regime

Sobre Moira, a história dela, quando desenvolvida, se torna algo encantador e sobre como ela tinha muito mais a perder do que qualquer outra pessoa ali, desde relações amorosas até a maternidade.

Moira quer derrubar o regime e salvar June a todo custo. Luke, por sua vez, se encontra desacreditado, mas um encontro muito importante vai acontecer nessa temporada e, durante esse episódio, ele vai mostrar que está apto a expor todas aquelas cartas de mulheres estupradas durante o regime Gilead, as quais vimos na primeira temporada.

Partindo para os últimos episódios, o nascimento de Holly e um encontro com Hannah vão fazer com que June se esforce o suficiente por ambas. Serena é resistente na questão da amamentação e não permite sua Aia no mesmo âmbito de convivência da sua “filha”.

Tia Lydia vai mostrar seu lado mais humano, prometendo cuidar de Holly mesmo que June não esteja presente. Aquela personagem, que até então era extremamente severa, se torna humana e exibe que tudo aquilo é apenas feito por conta do regime implantado pelo medo.

Por fim, uma personagem sem muita aparição promete uma nova possibilidade de melhora ou piora no regime. O Arquiteto idealizador exibe sua casa para sua nova Aia (Emily) e lá mostra um comportamento nada satisfeito com os ideais de que ele participou.

O último episódio fará parte do processo. Os acontecimentos desse episódio fecham e abrem novos caminhos. Desde agressões – o que é algo comum na série -, a possibilidades de permanência em Gilead para uma provável derrubada do sistema e a promessa feita a Hannah de que ela seria salva por sua mãe.

The Handsmaid’s Tale é uma história que, mesmo com finais tristes, não se perde na proposta de mostrar o que poderia ocorrer quando um regime desses é aplicado por pessoas com intuito de unir sua religião com a política, indo contra todos os direitos humanos, se preciso.

Um fator muito interessante é como a produção da série consegue manter o padrão de fotografia, sempre tons mais claros em seus flashbacks e acinzentados no presente. A maneira com a qual a câmera muda o foco para cima da personagem quando ela se encontra no ápice da cena e quando, em momentos baixos, a câmera automaticamente mostra um ângulo de uma perspectiva mais baixa, também são construtivos.

A trilha sonora continua muito bem escolhida, encaixando as letras com os momentos; por fim, o padrão da produção é alto e muito bem aplicado sobre a tela. A qualidade da série pode ser minimamente vista pelo seu trailer, que segue abaixo.

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