Filmes

Análise | A Progressão da Fotografia em Mother!

Entre amor e ódio, todos os espectadores de Mother! podem concordar que a experiência audiovisual passou dos limites do excruciante.

O filme de Darren Aronofsky ficou conhecido pelas milhares de referências, que foram interpretadas de diversas formas, e definitivamente dividiu opiniões. Um dos aspectos mais marcantes da obra é a mudança drástica de ambientação, que jamais passaria despercebida. À medida que a história evolui e chega ao seu clímax, toda a fotografia parece se contorcer e explodir junto com ela.

O que começa como uma manhã calma e iluminada vai, aos poucos, se transformar no retrato da ansiedade e fobia da nossa personagem principal, interpretada por Jennifer Lawrence. A partir da primeira cena teremos ambientes iluminados, cores vivas e Lawrence vestida em branco, pintando a casa de branco… ou seja, envolta nesse clima “paradisíaco”.

Tudo parece harmônico, até que as primeiras manchas nas cores do filme vão aparecer: o sangue. Sangue no carpete, na parede; o sangue de Abel no chão. Esses são os primeiros indicativos visuais a acompanhar a mudança no dia-a-dia do casal, a perturbação que os seus convidados causam.

Outro sinal é a superlotação. O ambiente tranquilo e limpo da grande casa colonial começa a se reduzir e a quantidade de pessoas sugere que a anfitriã está se sentindo sobrecarregada, assim como as interações paralelas a fazem parecer um objeto de fora. Muitas metáforas são associadas a esse crescimento, especialmente quando Lawrence é vista como a Natureza.

O fato é que o último ato do filme se caracteriza por uma sequência agonizante de tomadas lotadas e confusas, nas quais a multidão parece ter vida própria. Essa gestão do espaço anda lado a lado com a distorção nas cores do filme, que vão se tornar mais escuras, associadas a sombras e impurezas profundas.

Esse é o ápice do desespero, da traição, do fanatismo e da dor. Nada pode ser igualmente bonito sob tais circunstâncias, portanto a produção se torna propositalmente feia. É difícil olhar o suficiente sequer para acompanhar os acontecimentos. Para um espectador mais sensível a essas mudanças, o filme pode se tornar insuportável – como foi o caso.

Independentemente da apreciação pessoal, é inegável que Mother! deu um substancial material para análise e reflexão. A produção pulsa com a própria capacidade de se adaptar, conseguindo levar ao seu público as emoções mais cruas e sensíveis: revolta, asco, preocupação, medo. Nesse ínterim, a revolução na fotografia foi um elemento essencial na produção de sentido, contribuindo para a construção da própria história.

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