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Como o Transtorno Bipolar foi Retratado em Skam

Skam (2015) traz uma das melhores abordagens em relação ao Transtorno Bipolar. A narrativa trabalha a psicopatologia de uma forma simples, porém evidenciando aspectos importantes e que sempre deveriam ser explorados.

O Transtorno Bipolar, também chamado de Transtorno Afetivo Bipolar, caracteriza-se por alterações graves no humor, envolvendo, assim, períodos onde o humor está mais elevado ou depressivo. Estes polos opostos são vistos como os polos opostos da experiência afetiva.

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De acordo com o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM – V), a bipolaridade apresenta dois tipos: o Tipo I e Tipo II. No I, a elevação do humor é grave e persistente. Já no II, a elevação do humor é branda. Esse humor elevado pode ser classificado como mania ou hipomania, dependendo da gravidade ou da presença de sintomas psicóticos.

A mania é vista como o estado mais grave, provocando alterações comportamentais e funcionais no sujeito. A duração do estado de mania deve ser de no mínimo uma semana e o humor elevado deve estar presente em boa parte do dia. Durante este estado, há um aumento anormal e persistente do humor; a auto-estima neste período se encontra elevada – ou, em alguns casos, há episódios de grandiosidade. O sujeito é mais loquaz; há a fuga de ideias e os pensamentos estão sempre acelerados; há, também, uma redução significativa no sono. Por exemplo, uma pessoa, durante o estado de mania, pode sentir-se totalmente descansada com apenas 3 horas de sono.

Já no caso da hipomania, são menos graves e mais branda. Porém, dependo do quadro, a hipomania pode torna-se mania.

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Em relação ao polo oposto, o estado depressivo do Transtorno Bipolar é conhecido como Episódio Depressivo Maior, ou seja, é caracterizado por um humor depressivo ou perca do prazer na realização de atividades por no mínimo duas semana. Neste período, o indivíduo perde o apetite e o peso; há alterações significativas no sono e em atividades psicomotoras; há sentimentos de culpa. O sujeito também encontra dificuldades no pensamento, na concentração e em tomadas de decisão.

A linha narrativa de Skam aborda esta problemática através do Personagem Even (Henrik Holm). O roteiro não extrapola as linhas viáveis de como um transtorno mental deve ser explorado dentro do audio-visual. Há sempre a preocupação de mostrar que Even não é apenas mais um adolescente como um transtorno psiquiátrico; ou seja, ele tem sim os comportamentos semelhantes aos comportamentos descritos no DSM-V sobre o Transtorno Mental, porém, o personagem não é apenas isto, ele possuí sonhos, vontades.

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È muito comum ver em produções com a mesma temática abordarem de uma forma onde, o indivíduo perde as características que fazem dele um sujeito no mundo. Skam segue o caminho oposto mostrando, que não é apenas trazer o assunto de qualquer jeito; colocando na narrativa que é preciso pensar em como posso fazer.

A roteirista Julie Andem transita entre mostrar o papel fundamental de amigos e familiares e mostrar as dificuldades que estes encontram em lidar com a patologia de Even; o que deu todo um charme narrativo a questão.

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O seriado Norueguês demonstra sensibilidade e propiedade, provando há necessidade de criar um espaço de fala que vá além do exagero e da comoção construída como arma publicitária.

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