Filmes

Crítica | A Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batata

O título nada convencional da produção original Netflix definitivamente atrai o olho e, depois de alguns momentos com a sua narrativa sensível, atrai também o coração.

A Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batata traz um confortável ambiente de promoção da importância da leitura, a começar pelo papel de Lily James como uma escritora que almeja ser capaz de produzir um livro de substância e importância, a protagonista Juliet Ashton. Produções anteriores viajaram por caminhos parecidos, como em A Livraria (2017), mas tanto um quanto o outro foram além do comum e intrincaram essa premissa em uma narrativa muito mais charmosa do que o esperado.

Um dos aspectos mais interessantes aqui é a oportunidade de entender um pouco melhor de que forma as vidas de pessoas comuns foram afetadas pela guerra, até os últimos detalhes. A maneira como a Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batata surgiu é um retrato tragicômico de alguns desses efeitos, mas o filme ainda é capaz de trazer mais aspectos, próximos ou distantes do cotidiano desses improváveis amigos. O fato de Juliet ter se sentido tão atraída por essa história tem a ver justamente com o magnetismo da descoberta de uma nuance tão desconhecida dos resultados do conflito.

Apesar do desenrolar da vida pessoal de Juliet cair em uma fórmula clichê desde o começo, outras virtudes do filme compensam esse deslize, que pode até mesmo atrair os românticos incorrigíveis. O papel decisivo da literatura no enredo, por exemplo, é quase místico, mas também muito real na medida em que provê um momento de escapismo para os membros da Sociedade.

Conhecer a cidade e a Sociedade Literária é um processo encantador, mas o filme equilibra esse sentimento com uma linha dramática de forma habilidosa. O desaparecimento de Elizabeth (Jessica Brown Findlay), ninguém menos do que a pessoa que juntou todas as pessoas para o crime que culminou na Sociedade, depois de ser presa por tropas nazistas deixou dúvidas e marcas profundas em todos.

O desenrolar dessa história definitivamente leva mais tempo do que o necessário, em muito para dar ao espectador uma sensação de estar montando um quebra-cabeça elaborado, e o final dele merecia, talvez, um pouco mais de atenção. O filme se volta, efetivamente, para a vida amorosa de Juliet, assim que o mistério se encontra resolvido. Apesar de sabermos desde o primeiro momento onde ela iria terminar, esse momento não deixa de ter seu valor para quem acompanhou a construção.

Outro acerto do filme está no seu visual, que passeia entre a simplicidade da cidade pequena e o luxo da cidade grande sem se perder ou deixar de fazer sentido, como pode ser visto abaixo, além de trazer belas paisagens.

A Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batata é um filme cheio de sutilezas, cheio de graça e cheio de reflexões. Pode ser um momento para relaxar, mas também para se sentir um tanto vulnerável. Abaixo, você pode conferir o trailer da produção original Netflix.

 

Anúncios

Categorias:Filmes

Marcado como:, ,

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s