Filmes

Crítica | A Freira

O novo spin-off da franquia Invocação do Mal tenta fugir da fórmula de sustos baratos com coadjuvantes que brilham.

A Freira, dirigido pelo novato Corin Hardy, é mais um spin-off do aclamado universo de terror de Invocação do Mal, iniciado em 2013, que já conta com dois filmes na franquia principal e mais dois spin-offs da boneca Annabelle.

Nessa nova instalação do universo (inserindo-se como um prequel), após o suicídio de uma freira, o Vaticano decide acionar o Padre Burke (Demián Bichir), especialista em “caça aos milagres”, acompanhado da noviça Irmã Irene (Taissa Farmiga) para a investigação do caso e checagem se aquele local ainda é “santo”.

A integração ao universo das produções anteriores é lembrada no final e início do filme. Nesse segundo caso, as cenas com a freira em Invocação do Mal 2 (2016) são recapituladas numa montagem que é bem começo de episódio de série de TV, ou até o começo de Uma Noite Alucinante 2 (1987) – para quem lembrar -, mas que, aqui, nada agregam ao filme, já que servem só pra gritar ao espectador: “Ei, essa personagem tava naquele outro filme, lembra!?”.

Logo após isso, o filme adentra seu cenário principal, uma abadia na Romênia habitada por diversas freiras, com a história no período pós-guerra, em 1952, o que é interessante, já que a história é apresentada como consequência direta de grandes eventos ocorridos no mundo real, como as Cruzadas e a 2ª Guerra Mundial. Um pedaço de diálogo de destaque do filme é quando a velha questão sobre a existência de Deus é tratada, durante uma passagem com a Irmã Irene e outras noviças.

A primeira cena é uma das melhores e mais emocionalmente carregadas cenas do filme, acompanhando o sofrimento escondido por detrás das histórias de monstro, quando uma dupla de freiras comete o mais alto sacrifício em nome do bem maior, culminando no suicídio de uma delas, que, inclusive, é o fato que serve de gatilho para a história principal.

A Freira prefere não seguir a fórmula de vítimas-sendo-perseguidas e coloca o Padre Burke e a Irmã Irene no papel de investigadores do ocorrido, fornecendo pelo menos um mínimo de explicação para que os personagens encarem tão impetuosamente o sobrenatural, coisa que não faz muito sentido em algumas outras obras do gênero em que observa-se pais de família querendo bancar o papel de policial sobrenatural.

A dupla principal testemunha os eventos sobrenaturais ao longo da estadia na abadia, com as freiras e a abadessa (espécie de líder do local) apresentando ao longo do filme os mistérios do local. Durante o filme sente-se a falta da famosa freira que serve de título ao filme e tão relembrada durante a montagem inicial; obviamente ela não é a única freira, mas sua ausência é sentida.

Como é de se esperar, o uso de clichês do gênero serve como recurso de ambientação, como pentagramas, luzes apagando e cruzes virando de cabeça para baixo com a chegada de demônios. Além disso, a pouca iluminação e neblina contribuem para a ambientação, que acaba sendo mais importante que os poucos sustos.

Como em qualquer filme de terror (ou em quase qualquer filme, pra falar a verdade), a atuação é um dos elementos fundamentais para situar no universo e transmitir na tela as emoções ao espectador. Esse elemento deixa bastante a desejar aqui, com a atuação branda de Taissa Farmiga, a falta de oportunidades para Demián Bichir brilhar, sendo que o coadjuvante Frenchie (Jonas Bloquet) acaba sendo, ao lado do conjunto de freiras da abadia, o personagem mais interessante e desenvolvido do filme, responsável por talvez a única e memorável passagem cômica, quando ele usa um objeto enorme para se proteger dos demônios.

Enquanto percebe-se algum potencial no roteiro e o desejo de se distanciar do que se convencionou como filme de terror atualmente, o conjunto fraco de atuações e pouco desenvolvimento de personagem, além da construção desnecessária de elementos, em que se dá grande ênfase visual e simbólica, para não ter significado ao decorrer da narrativa ou servir apenas de gancho para com o resto da franquia, evidencia as más decisões do diretor em seu segundo longa, que resultaram numa obra que tinha tudo para ser um filme muito bom, servindo como uma adição… bacana à franquia.

O filme estreia nessa quinta (06/09) nos cinemas de todo o Brasil. Confira o trailer de A Freira abaixo:

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