Filmes

Crítica | 10 Segundos Para Vencer

A história de Éder Jofre, brasileiro que é lenda no boxe mundial, chega às telas.

10 Segundos Para Vencer traz para o público mais jovem a história do lendário pugilista Éder Jofre, que construiu sua carreira nas décadas de 50 a 70. No filme, ele é interpretado pelo carismático Daniel de Oliveira, que faz um grande serviço ao representar a história em três fases diferentes da personagem.

Para ajudar em sua jornada ao estrelato, Éder conta com a ajuda de seu pai, o treinador Kid Jofre, interpretado por Osmar Prado. A relação entre as duas personagens carrega o filme, passando por três momentos diferentes na vida do atleta: a ascensão, a aposentadoria e o retorno ao ringue.

A obra foi, inclusive, agraciada com dois Kikitos Dourados durante o Festival de Gramado, o de “Melhor Ator” para Oscar Prado e o de “Melhor Ator Coadjuvante” para Ricardo Gelli, que interpreta Zumbanão, pugilista com tendências hedônicas que serve como uma espécie de inspiração para Jofre durante o prólogo do filme, quando é narrada parte de sua infância.

Para quem gosta de sequências de ação, o filme realmente surpreende, por ser uma produção brasileira, pois a execução dos embates no ringue é incrível. Além disso, ele ainda conta com todo o embalo da fotografia, assinada por Lula Carvalho (Tropa de Elite, de 2007; Bingo: O Rei das Manhãs, de 2017), que é um dos destaques do filme.

No entanto, a maior dificuldade do filme está em não saber qual visão adotar sobre a personagem, já que, ao final, o sentimento é de ter assistido a diversas obras diferentes: o protagonista pode ser desde um herói até uma figura desvalida. Isso acaba ficando mais claro ao perceber que o diretor, José Alvarenga Jr. (Os Normais, Malhação), é mais tradicional, entrosado ao meio televisivo, então narrativa parece uma colagem de três obras distintas com emoções das mais variadas e que não parecem conversar entre si – o funcionamento seria melhor numa série ou franquia.

Não obstante, é fundamental notar a relevância social do filme, pois nem toda obra é capaz de traduzir bem na tela problemas que acometem a sociedade e, aqui, fica mais do que visível a falta de representatividade em figuras públicas que a população vem enfrentando. No momento atual, em que grande parte da população apoia uma figura condizente com o regime militar, podemos ver na tela uma personagem que inspira e serve como exemplo de persistência (além de desdenhar do próprio golpe militar, vigente no período da trama).

“Quebra a cara desse puto, Éder!”

10 Segundos Para Vencer estreia dia 27 de setembro. Confira o trailer:

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s