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Setores | O roteiro antes do roteiro

Tudo na vida precisa de planejamento. Até mesmo um roteiro precisa de um roteiro. Confuso? Calma, tem tudo aqui neste artigo; a gente te explica direitinho!

Premissa

Antes de tudo, o roteirista precisa de uma premissa. O mote principal, que vai conduzir o fio narrativo de qualquer que seja a história. Exemplo: existe uma criança que sobreviveu à morte. Conhecem essa premissa?

 

Storyline

Depois de criada a premissa, vem a storyline. É o enredo em poucas palavras, com começo, meio e fim. O que é comumente chamado de sinopse, aquilo que fica no catálogo de filmes da Netflix, ou atrás do DVD, na verdade é a storyline.

Ex: criança tímida some durante uma partida de RPG. Seus amigos se juntam para procurá-lo e terão que enfrentar uma criatura saída da ficção para a realidade.

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  • Incidente incitante: criança tímida some durante uma partida de RPG.
  • Apresentação dos protagonistas: seus amigos se juntam para procurá-lo.
  • Superobjetivo: e terão que enfrentar uma criatura saída da ficção para a realidade.

O incidente incitante é o conflito que vai gerar a trama principal, que precisará consequentemente de um “superobjetivo”, ou objetivo principal.

 

Sinopse

É o resumo de uma história inteira. As cenas não estão delimitadas ainda e são quase sempre descritas de maneira cronológica, para evitar confusão. Exemplo:

As Crônicas de Nárnia – O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupas

Quatro crianças são levadas embora de Londres por conta da guerra e passam a morar com o tio, no interior da Inglaterra. Lá, a mais nova, Lúcia, descobre um portal que leva todos eles para outro mundo, chamado de Nárnia. As crianças fazem muitos amigos, incluindo um sátiro e um Leão, que parece ser o guardião espiritual do lugar; entretanto, logo o conflito chega.

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Edmundo é seduzido por uma feiticeira e termina se tornando uma espécie de servo dela, que termina por colocá-lo em cativeiro. Nesse ínterim, há uma guerra em Nárnia e todos querem combater a feiticeira. No fim das contas, as quatro crianças vencem a feiticeira, resgatam Edmundo e descobrem que são herdeiros de Nárnia. Juntos, os quatro Pevensie são coroados como reis e rainhas. Infelizmente, Aslam (o Leão) informa que eles não estão preparados ainda para morar em Nárnia e governar o tempo todo. Por isso, as crianças voltam pelo guarda-roupa para casa, e, assim que lhe convir, Aslam irá informá-los de que precisam voltar.

 

Ficha de personagem

É sempre interessante criar um arquivo com todas as informações sobre as personagens principais, desde aspectos físicos até particularidades de sua personalidade. Essas informações não precisam aparecer descritas nas cenas,  mas é sempre bom que um escritor conheça suas personagens, pois, dessa maneira, fica fácil torná-las críveis e verossímeis através de seus diálogos e ações.

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Argumento

É a versão mais descritiva da sinopse. Ao invés de resumir o que acontecerá em cada cena, é indicado que se escreva aqui o mais minunciosamente possível, descrevendo as ações e evitando os pensamentos captados pelo narrador onisciente extremamente comum nos textos literários.

Em audiovisual, o mais importante não é imaginar, mas mostrar. Portanto, a ideia é escrever como as personagens mostram o que sentem através de um comportamento quase passivo-agressivo, mais próximo de uma abordagem teatral do que literária.

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Exemplo: Lúcia corre e procura um quarto na casa para se esconder. Olha para os dois lados e então, cuidadosamente, gira a maçaneta de um grande armário marrom e se esconde lá dentro. Uma vez lá, descobre que por detrás de vários cabides existe uma passagem secreta para um lugar estranho, frio, cheio de neve, e, bem em sua frente, um poste de luz. 

 

Escaleta

Basicamente o argumento, só que separado por cenas. Esse é o momento para arrumar tudo em sua devida ordem e em seus devidos “cortes”, ou “saltos”, entre uma cena e outra. Essas divisões ficam da seguinte maneira:

CENA 1 – EXTERIOR (ou INTERIOR) – DIA (ou NOITE, ou FINAL DA TARDE, se preferir ser mais específico) – JARDIM (ou qualquer outro lugar).

(Inserir aqui a parte do argumento que contém a explicação da cena)

No entanto, se dentro de uma cena tiver mudança de cenário, é sempre indicado especificar o máximo possível. Exemplo:

CENA 2 – INTERIOR – DIA – SALA DE ESTAR

CENA 3 – INTERIOR – DIA QUARTO

 

Roteiro

Agora sim. O famigerado roteiro literário. Agora, depois de tudo isso, podemos escrever  diálogos e cenas como você está acostumado a ler. Mas isso é assunto para outro dia.

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