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Crítica | Aquaman

Preocupando-se demais com a estética do filme, a DC deixou parte do roteiro naufragar.

Os primeiros minutos de Aquaman foram essenciais para preparar o terreno do que seria um filme biográfico do herói dos quadrinhos. A história de amor entre seus pais teve o papel de embelezar a importância de sua personagem dentro da storyline, como uma justificativa para colocar o menino Arthur (Jason Momoa) na grande necessidade de transformar-se no rei de Atlantis.

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A sequência de apresentação já demonstra o domínio que a Warner tem em criar ambientes ficcionais, deixando-os quase reais para nosso mundo; a fluidez da água e de todos os elementos da natureza, como os que entram em combustão, em alguns momentos, todos eles parecem fazer parte de gravações inteiramente verdadeiras, sem a influência do CGI – o que, obviamente, existe. Isso se dá pelo excelente trabalho da Direção de Arte, que combina cenários montados em estúdio com a interferência digital, além da maquiagem, figurino e da atuação quase espontânea do elenco.

Trazendo um destaque especial para Nicole Kidman (Atlanna), Amber Heard (Mera), e, é claro, Jason Momoa (Aquaman), o que podemos notar é uma dedicação às personagens, desafiando o espectador a acreditar que é tudo verdade: que Kidman é a Rainha de Atlantis, Heard a Princesa e Momoa o Aquaman.

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Dentro da construção dessas personagens, o filme conseguiu fugir de alguns estereótipos e trouxe o mundo aquático com uma naturalidade extremamente necessária para que não houvesse equívocos quanto à missão de Arthur ou quanto aos questionamentos antecipados sobre o modo de vida humana embaixo do Oceano. Como vivem? Como respiram? O que são capazes de fazer? Tudo isso foi respondido muito antes que o espectador lembrasse de se perguntar.

No entanto, vale ressaltar que faltou um pouco de cuidado com a apresentação física dos herdeiros do trono de Atlantis. A maneira em que Arthur foi desenhado para os cinemas é um pouco diferente dos quadrinhos da DC; e, embora a nova versão seja interessante e dentro de seu universo cinematográfico funcione isoladamente, não é bem isso que acontece quando Arthur divide a tela com o seu irmão, Orm. Este lembra muito mais o Aquaman dos quadrinhos do que o próprio Momoa, mesmo trajando figurinos distintos.

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Ainda sobre figurino, uma questão é levantada: como ocorre a troca? As personagens mudam de vestimenta num piscar de olhos! De um take a outro é a velocidade como isso acontece. Não houve qualquer explicação sobre isso ou pistas para que o espectador não fique perdido. As cenas mencionadas referem-se aos momentos em que Arthur e Mera transitam entre os mundos – Atlantis e superfície -, quase sempre em sequências de ação, corrida e mergulhos.

Mas, apesar dessa questão da troca de roupa, Momoa e Heard formam uma boa parceria e compensam a presença de um antagonista fraco, que sequer dá medo. Na realidade, Aquaman reúne alguns inimigos, sendo até difícil discernir quem é, de fato, o antagonista. Seria o Arraia-Negra? Seria o seu meio-irmão Orm? Seria toda Atlantis? Não importa a opção intencionada pelo filme, nenhuma delas é ameaçadora o bastante para que cause angústia ou aquela sensação de que o combate de fato existiu.

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Por sorte, nós temos a dupla de heróis que, pelo menos, salva o confronto forçado e sem-graça entre o Reino de Atlantis, o Aquaman e a vingança superdimensionada do Arraia-Negra – que, diga-se de passagem, não convence ninguém em sua ira e obsessão -, transbordando química e naturalidade. As lutas são impactantes e trazem o poder feminino na figura de Mera, que é mais uma aliada e companheira de briga do que um interesse amoroso de Arthur, como é apenas pincelado em alguns momentos.

Fica bem evidente que a DC ainda tenta se adaptar ao seu universo cinematográfico, preocupando-se demais com a plástica, a técnica, o CGI, mas esquecendo-se, um pouco, de cuidar do roteiro e dos furos que são tão (ou até mais) importantes para o entendimento da trama como um todo do que o estilo adotado para o design.

Aquaman tem data de estreia no Brasil dia 13 de dezembro. Confira abaixo o trailer:

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3 respostas »

  1. Critica lúcida, coerente e bem argumentada,o que nos dá a certeza de que a autora da critica fala com propriedade sobre o tema.PARABÉNS Clari Maga!!! Mais uma vez sua critica me convenceu a assistir um gênero de filme que não constaria da minha lista de preferência.

    Curtido por 1 pessoa

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