Filmes

Crítica | O Retorno de Mary Poppins

A releitura do clássico da década de 60 ganhou um rico acervo na trilha sonora e ficou tão mágico quanto o original, apesar de algumas falhas estruturais na narrativa.

image.jpg

O Retorno de Mary Poppins, dirigido por Rob Marshall, responsável pela direção de Caminhos da Floresta (2015), é uma releitura do mágico e cativante Mary Poppins (1964). A história se passa vinte e quatro anos depois do original, mostrando que quem necessita de uma babá para seus filhos agora é Michael Banks (Ben Whishaw).

A produção de Marshall não perde a sua eficiência, apesar dos graves erros em alguns momentos da narrativa. No entanto, devido ao elenco, principalmente a união entre Lin- Manuel Miranda e Emily Blunt, junto com a trilha sonora cativante e emocionante, o filme não perdeu sua magnitude ao longo do processo.

A linha narrativa de O Retorno de Mary Poppins não explora com excelência a relação entre a família Banks e a dívida com William Wilkins (Colin Firth), principalmente quando David Magee evidencia esta questão em uma das cenas de aventuras das crianças Banks ao lado de Mary Poppins. A questão do débito e o cenário da Grande Depressão, que no começo ganham um papel de destaque, perdem o seu foco ao longo da história por causa a falta de elementos na linha narrativa que ligassem esses dois pontos ao resto do filme.

Resultado de imagem para mary poppins returns cast

Se há uma grande falha no roteiro, a trilha sonora caminha pelo lado oposto. Marc Shaiman, Scott Wittman e Lin-Manuel Miranda deram um espetáculo nas músicas que embalam a sequência de Mary Poppins. Não há como negar que grande parte da magia está presente neste riquíssimo ponto crucial da obra protagonizada por Emily Blunt.

Assim como a trilha sonora, as questões artísticas também ganharam uma força excepcional dentro de todo o processo criativo da obra. Os figurinos de Mary Poppins possuem um ar de sofisticação, mas, ao mesmo tempo, ainda se parecem com os do filme de 64. Quando juntam-se os dois elementos motriz, junto com o cenário, O Retorno de Mary Poppins ganha uma força grandiosa ao ponto de conseguir disfarçar, ao menos que um pouco, os erros na direção e roteiro.

Resultado de imagem para O Retorno de Mary Poppins

Lin- Manuel Miranda não roubou a cena apenas na produção musical: o ator roubou a cena em praticamente todos os momentos nos quais apareceu diante das telas. É de arrepiar e de arrancar uma nostalgia eletrizante toda vez em que ele abria a boca para cantar, mostrando cada vez mais que não há ninguém tão forte como ele no cenário musical da sétima arte nesta nova geração.

A ligação musical, mágica e nostálgica que se deu com a união de Lin- Manuel Miranda e Emily Blunt também não saiu com uma imagem feia ao longo do processo. O segundo gigante da produção de Rob foram eles dois, que, do início ao fim, deram um show. A produção acabou resgatando a criança que vivia em cada um de nós, nos levando a arrancar, mesmo sem querer, os nossos sonhos mais infantis e que compunham o cenário da nossa infância. Não há como negar: O Retorno de Mary Poppins é realmente um retorno à magia de como é bom ser criança.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s