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A diferença entre terror psicológico e o terror padrão

Diferente dos filmes de terror padrão, o terror psicológico provoca a sensação de temor através de sensações desconfortáveis.

O terror psicológico é um subgênero cinematográfico criado através da junção da ficção e do terror, o que colocaria a categoria de filmes de horror em outro patamar. O temor, neste tipo de filme, é criado através da vulnerabilidade da mente humana frente a situações desconfortáveis e, por isso, eles diferem totalmente de filmes como Invocação do Mal (2013), no qual o medo é provocado por questões gráficas como, por exemplo, bonecas assassinas ou espíritos malignos.

A diferença estrutural básica entre Laranja Mecânica (1971) e O Exorcista (1973) é a maneira como cada um aborda o horror. Na produção de Kubrick, há cenas pesadas que abordam estupro e violência física de maneira bastante explícita, provocando um agonia psicológica. Isso é bem diferente do segundo filme, no qual o elemento assustador é o espírito que invade o corpo da adolescente. Olhando de perto, percebe-se que a sensação agoniante de Laranja Mecânica é bem mais real do que aparição de um hospedeiro maligno, provando, assim, que a estruturação de um bom terror psicológico é bem mais eficiente do que o terror padrão.

Pela utilização de medos e fobias reais, como as violências nas suas diversas formas, vários telespectadores não conseguem compreender que não é preciso utilizar elementos áudio-gráficos para assustar. Os elementos vulneráveis da sociedade humana já conseguem provocar isto, sem precisar forçar o uso dos típicos personagens de filmes de horror, como a boneca Anabelle (2014).

Em It – A Coisa (2017), Pennywise (Bill Skarsgard) é um mero coadjuvante, pois os elementos necessários para o temor não são provocados diretamente pelo palhaço e sim pelo uso de questões sociais, como o racismo, abuso sexual e transtorno de ansiedade, por exemplo. O palhaço é apenas uma representação, sem uma mega importância psíquica na equação estrutural da obra.

O grafisco provocado pela violência do racismo e do abuso sexual de menores já consegue, sozinho, provocar medo e uma vulnerabilidade psicológica ao assistir tais cenas.

Essa estrutura é totalmente diferente de Pânico (1996), onde o temor, em duas horas e meia de filme, é provocado pelo aparecimento do ghost face. Ele é um típico filme de slash – tendo suas personagens assassinadas uma a uma -, no qual os assassinatos em massa provocaram medo com a junção do killer: sem ele, os elementos das mortes perderiam a sua força motriz de medo e temor.

O terror psicológico se caracteriza de uma forma mais completa e captura a nossa atenção de uma maneira mais eletrizante. Enquanto o terror padrão precisa sempre de um elemento gráfico para dar aquela mãozinha no susto, o terror psicológico já não precisa com tanta urgência destes, provando a razão pela qual a sua eficiência é mostrada a cada nova produção.

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