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Crítica | Killing Eve – 2ª Temporada

A nova temporada de Killing Eve é uma mistura de suspense, drama e sexualidade com uma boa dose de psicologia.

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A temporada anterior apresentou ao público o perfeito oposto complementar entre uma protagonista imponente e uma vilã sem escrúpulos. Dessa vez, a série aprofunda ainda mais a dinâmica entre as duas personagens e explora a capacidade das atrizes, desafiando-as a ir além.

Jodie Comer nunca esteve tão esplendida quanto em seu papel como Villanelle. A personagem não apenas ganha vida, mas também cria formas dentro da fórmula principal. É manipuladora, sangue-frio e completamente ausente de qualquer senso de consequência.

A antagonista não apenas brinca com os sentimentos e a mente de Eve, como manifesta todas as sensações da investigadora no público. Há momentos em que a performance de Comer quase faz-se crer que Villanelle seria capaz de sentir ou demonstrar afeto. Isso tudo é construído com a propositalidade de quebrar essa esperança no telespectador logo em seguida. Percebe-se que, na verdade, a vilã evolui cada vez mais para um lado traiçoeiro e emblemático.

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Além disso, os figurinos auxiliam na criação das diversas facetas da mulher, deixando-a ainda mais poderosa no mundo em que o público está emergido. Villanelle é considerada pelos maiores assassinos, “a fantasma sem rosto”; apesar dos diversos assassinatos, a frigidez e o apetite para matar da personagem, a sua capacidade de se camuflar em qualquer ambiente deixa espaço para a fertilidade da imaginação daqueles que já ouviram falar dela.

Eve (Sandra Oh) decide contratá-la para se infiltrar na investigação de um esquema ilegal, na qual Villanelle acaba conhecendo um psicopata que coloca muitos de seus desejos e ambições em jogo. Isso acaba testando sua fidelidade a Eve e, mais uma vez, o senso do telespectador sobre a imagem que a vilã está tentando projetar.

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A personagem de Eve, por sua vez, é retratada como uma heroína em declínio. Ela já não é mais a investigadora da primeira temporada, agora, Eve carrega uma dosagem de crime nas costas e uma curiosidade não apenas psicanalítica, como também sexual por Villanelle. Cada vez que as duas se aproximam, Eve acaba deixando seus princípios ainda mais de lado e se arriscando em um jogo de poder que faz com que perca, pouco a pouco, tudo ao seu redor.

Relações humanas e interpessoais são trabalhadas de maneira curiosa e proveitosa. Desde o envolvimento de Eve e Villanelle, até o de Carolyn com um dos membros dos Doze, chegando a envolver problemáticas no casamento de Eve devido às circunstâncias do seu trabalho.

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Os cenários são incrivelmente construídos, trabalhados em uma estética pastel e retrô, outrora focalizando em cenas que são conjuntamente elementadas com uma visualização futurística e mais tecnológica. A escolha de planos e cores também é feita para dar ênfase a Villanelle em todas as cenas em que aparece. A personagem, é, definitivamente, o maior marco da segunda temporada, escolhida pelos roteiristas desde o princípio como o grande destaque.

Ainda que se perca um pouco em arcos não fechados na primeira temporada, Killing Eve exalta toda a capacidade roteirística e de direção nessa segunda temporada, também exercendo uma atividade de elevação da capacitação de seus atores ainda mais e criando espaço para a renovação e fechamento de arcos no que há por vir.

Izzie Ver tudo

Cinéfila assídua, apaixonada por arte e literatura

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