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Análise | O Último Samurai e o Zen: a natureza da não mente

Nathan Algren vive sendo perseguido pelos fantasmas de seu passado no filme O Último Samurai – mas descobre, através da filosofia do Zen, que o seu verdadeiro inimigo é a sua mente.

O Último Samurai foi aos cinemas em 2003, sendo um sucesso de bilheteria: arrecadou 483 milhões de dólares, além de conseguir três indicações ao Oscar.

Antes do encontro com a filosofia de vida samurai, Nathan Algren (Tom Cruise), um veterano de guerra estadunidense, participa de propagandas de marketing de um pequeno armamentista americano, enquanto sofre pela culpa de ter matado índios inocentes.  A sua principal válvula de escape para esse sofrimento psíquico é o álcool, de forma que a personagem principal da película é, claramente, um alcoólatra.

É possível entender que, ao matar os índios inocentes durante a conquista do oeste americano, Nathan não só foi rendido pelo sentimento da culpa, como também perdeu sua humanidade. O mesmo tem em seu caderno uma maneira de aliviar o seu sofrimento, assim como acentuá-lo, visto que ele guarda as informações das culturas indígenas nesse diário – as quais não existem mais justamente devido ao genocídio do qual ele participara.

Essa dinâmica de vida acelerada e culposa muda quando Nathan se torna hóspede dos samurais. Ele é deslocado para um lugar de silêncio, um lugar de contemplação do vazio, da não mente. O americano finalmente se põe diante do reflexo do seu vazio, já que a cultura samurai tem como base princípios do Zen, onde a comunicação é feita somente quando necessária. Dessa forma, o protagonista é posto a não pensar, a não julgar, a não se afligir e, finalmente, o mesmo encontra conforto e paz.

Assim, até a cronologia se perde: outrora Algren sempre marcava as datas em que escrevia em seu diário, mas as tais se transformam em “dia desconhecido, mês desconhecido”. O norte americano aprende a natureza do samurai em silêncio, aprende a natureza da não mente.

 O momento mais marcante do filme, que mostra esse aprendizado do americano samurai, é quando o mesmo está aprendendo a dominar o estilo de espada daquela cultura e frequentemente acaba vencido pelo seu oponente. Essa situação muda quando ele recebe o seguinte conselho: “Perdoe-me, muita coisa na mente, espada na mente, pessoas olhando na mente, inimigo na mente, muito na mente”. Nathan finalmente toma consciência de que ele não está vivendo o presente, mas sendo um refém de sua mente. Somente internalizando isso, ele consegue vencer seu oponente no duelo, como pode ser observado na cena abaixo:

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