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Crítica | Alto Mar

Juntamos a intriga de Las Chicas del Cable com um toque de investigação policial: querem saber no que deu?

Os criadores da já conhecida e aclamada Las Chicas del Cable, que aguarda por uma quarta temporada, Ramón Campos e Gema R. Neira, assinam o novo drama policial da Netflix. A nova trama gira em torno da viagem de um navio espanhol que tem como rumo, sim, o próprio Brasil. Dentre tantas pessoas que buscam uma nova vida no Novo Continente, acontecimentos estranhos vão gerar uma sensação de insegurança nas pessoas mais poderosas da embarcação.

Dentre essas pessoas, as protagonistas são as irmãs Eva (Ivana Baquero) e Carolina (Alejandra Onieva), que vão ser obrigadas a desenterrar sórdidos segredos de família durante a viagem. As duas atrizes conseguem ser envolventes e deixam marcas pessoais no espectador, criando uma relação que tem suas forças e suas fraquezas, o que as dá maior naturalidade. Esse protagonismo feminino não é novo se pensarmos nas inclinações dos criadores com sua série anterior, mas ela pode pecar em alguns momentos. Algumas das demais personagens femininas são usadas exclusivamente como elos na vida de homens ou como ferramenta de construção de uma personagem masculina, o que pode minar um pouco o esforço feito com a independência das protagonistas.

Assim, é mais comum encontrar profundidade em personagens masculinas do que femininas, o que enfraqueceu um pouco o potencial do roteiro. Não obstante, a dinamicidade e o ritmo constante podem compensar um pouco esse fato que, com a renovação para uma segunda temporada, poderá ser corrigido.

Os mistérios e as investigações paralelas que acontecem durante a trama, além da constante sensação de desconfiança para com – quase – tudo e todos, são fatores que aproximam muito a série das narrativas consolidadas de Agatha Christie, com Assassinato no Expresso do Oriente, e Arthur Conan Doyle, com o ilustre Sherlock Holmes. O andamento cheio de revelações e twists certamente dá uma agonia para chegar logo ao último episódio, o que não é de todo ruim, mas que poderia ter sido melhor aproveitado. O último episódio não tem o mesmo peso dos demais, por ter deixado apenas um elemento como pendência que, por maior que fosse, poderia ter sido rearranjado para deixar o espectador preso com maior afinco à trama.

A série tem um figurino impecável, uma trilha sonora extremamente agradável e uma cinematografia bem dosada, o que ajuda a construir a ambientação necessária para o andamento dos diferentes focos narrativos e a personalidade das protagonistas. Os usos que vão desde as suas roupas até os seus objetos são ajustados para a maneira como se quer passá-las ao público.

Alta Mar é uma série instigante que combina elementos para inovar em formato e em conteúdo. As partes podem ser conhecidas, mas o todo trouxe algo de novo pelo qual vale a pena assisti-la.

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