Filmes

Crítica | Turma da Mônica – Laços

Uma aventura emocionante para os pequenos, uma volta no tempo para os que cresceram com a Turma da Mônica.

A “Dona da Rua” do bairro do Limoeiro já era o maior ícone feminista muito antes que o termo se popularizasse no Brasil. Ela acolheu milhares de meninas que cresceram sabendo que era possível encontrar a força dentro delas para combater o bullying, o machismo, a opressão.

Dentuça, gorducha e baixinha eram os apelidos favoritos para os que aborreciam Mônica Souza, e ela, numa tentativa de combate, usava o famoso Sansão – seu coelhinho de pelúcia – para descontar toda a raiva em agressão física. Em Turma da Mônica – Laços, a dor dessa menina ultrapassa a tela do cinema e choramos como se fosse com a gente.

Giulia Benite, atriz que dá vida à Mônica pela primeira vez no cinema, é a mais expressiva da turma, demonstrando infinitas emoções num só olhar. O trabalho dos novos prodígios escolhidos para viver essa história é, sem dúvida, o ponto alto do longa. Embora muita críticas negativas tenham surgido ainda na fase de divulgação, principalmente no que diz respeito ao visual das personagens, é fácil entender a escolha de Maurício em insistir neste casting.

Uma vez absorto no filme, ninguém liga que o Cebolinha (Kevin Vechiatto) tenha mais do que cinco fios de cabelo ou que a turminha esteja de sapatos ou mesmo que Floquinho, o protagonista da trama, tenha recebido um filtro horroroso para deixá-lo verde. O elenco comprou a história e todas as escolhas técnicas da direção de arte, fotografia e figurino parecem se encaixar na atmosfera de quadrinhos infantis.

A caricatura foi aplicada na dose certa, o drama e a inocência transitam com a suavidade comum das crianças. E apesar das sequências forçadas no roteiro, elas estão ali pelo simples objetivo de apresentar todo um universo criado por Maurício em apenas 127 minutos. Pouco, não é? Pouquíssimo, eu diria.

As características marcantes de cada personagem vêm à tona quase o tempo todo, lembrando-nos de que… Olha! É a Magali comilona mesmo! É o Cascão que tem medo de água! É o Cebolinha com mais um plano infalível! Mas diferente da proposta dos gibis antigos, essas características não se resumem a traços de personalidade. É parte do que cada um representa dentro do mundo infantil, colocando-se à prova a todo instante, como estratégia de tensão.

É interessante perceber que, se tratando do aspecto visual, Turma da Mônica – Laços assemelha-se mais aos nostálgicos gibis do que à própria graphic novel que deu origem ao filme. Além disso, as referências estavam todas lá: Horácio, Jotalhão e o Louco (Rodrigo Santoro) são algumas das muitas lembranças colocadas sutilmente entre uma cena e outra. Se essa foi uma tentativa de atrair o público antigo de duas gerações, deu certo. Assim como Cebolinha, Daniel Rezende (diretor) bolou um plano infalível e conseguiu.

Ops. Acho que isso foi um spoiler…

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