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Como a Anorexia Nervosa foi retratada em O Mínimo para Viver?

Apesar de algumas falhas na maneira como o distúrbio alimentar foi retratado, a obra de Marti Noxon ainda teve o seu valor na comunidade cinematográfica.

A Anorexia Nervosa é um distúrbio alimentar caracterizado pela preocupação exagerada com o próprio peso, além de uma visão distorcida da própria imagem. Os sintomas físicos da Anorexia são: perda exagerada e rápida de peso; preocupação exagerada com o valor calórico dos alimentos; interrupção do ciclo menstrual; atividade física intensa e de forma exagerada; desmaio e tontura; sensação de frio, mesmo em climas quente. Os sintomas psicológicos são: Ansiedade constante e irritabilidade em torno das refeições; intenso medo de ganhar peso; depressão e ansiedade; capacidade reduzida de pensar e maior dificuldade de concentração; baixa autoestima; perfeccionismo; isolamento social.

O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtorno Mentais – DSM subdivide a Anorexia Nervosa em dois tipos: Anorexia Restritiva e Anorexia Purgativa. A Anorexia Restritiva é caracterizada por pela interrupção do ato de comer ou o uso intenso de dietas alimentares.

Já a Anorexia Purgativa é caracterizada pela ingestão de comida, seguida por um ato purgativo, como por exemplo, vômito auto-induzido e uso indevido de laxantes. Quem apresenta os sintomas da Anorexia não ficam presas em um único subtipo, é bastante comum uma variância entre elas.

Apesar o ato purgativo aparecer, também, na Bulimia Nervosa, A Anorexia Purgativa apresenta-se de uma forma diferente.

Em O Mínimo para Viver (2017), o roteiro de Marti Naxon falhou miseravelmente na abordagem da Anorexia Nervosa, principalmente ao darem um foco maior no romance. No entanto, o longa de Marti Naxon ainda conseguiu apresentar algumas das principais características do transtorno alimentar.

Ellen (Lily Collins) é uma representação forte de todas as adolescentes que já tiveram, ou ainda têm a Anorexia Nervosa. Isso explica, em vários graus, a presença de imagens extremamente fortes em várias cenas. O foco de O Mínimo para Viver não é trazer uma discussão sobre os transtornos alimentares, o seu foco é impactar o telespectador.

Os transtornos Alimentares, principalmente a Anorexia Nervosa, ainda são vistas com muito descaso por grande parte da sociedade. E a linha narrativa quis mostrar o porquê da necessidade de se abordar o assunto, de trazer os perigos do distúrbio alimentar. E por conta disso, acaba apelando para um grafismo extremamente exagerado. O maior erro da narrativa está exatamente aí, uma obra bastante apelativa, mas que não cria nenhuma base para uma consciência crítica em relação ao tema.

Apesar da caminhada por águas gráficas, O Mínimo para Viver acertou na forma da abordagem em relação ao processo de intervenção da Anorexia Nervosa. Desde da reforma da psiquiatria, a nova forma de intervenção valoriza o sujeito e não a doença. Ao darem uma voz à esse fato dentro da narrativa, foi dada uma pequena aliviada no grafismo presente em outras cenas.

O Mínimo para Viver tem uma valorização gigantesca de um grafismo, o que acabou colocando o longa de 2017 no mesmo patamar de Os Treze Porquês (2017). Onde a comoção é hipervalorizada e não há a criação de uma base para uma consciência crítica.

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