Filmes

Crítica | Era Uma Vez em Hollywood

Em seu novo drama, Tarantino homenageia Sharon Tate e o cinema clássico, com muito humor e domínio de sua narrativa.

O novo drama de Quentin Tarantino conta a história de Rick Dalton (Leonardo DiCaprio), um ator que após os problemas com álcool e uma indústria severa, tenta recomeçar os seus passos ao lado de seu dublê, Cliff Booth (Brad Pitt), suspeito de ter assassinado a própria esposa. Dalton descobre que vive ao lado de Roman Polanski (Rafal Zawierucha) e sua esposa, Sharon Tate (Margot Robbie), o que o deixa ainda mais desmotivado, vendo uma estrela em ascensão.

As marcas de direção de Tarantino continuam mais vivas do que nunca no filme; a projeção frontal que deixa o olhar do telespectador tão nostálgico em relação à câmera, a utilização de plongées (ângulo inclinado de cima) e contra-plongées, as excelentes cenas de direção, uma fotografia sangrenta e bem coreografada. Aqui, o diretor também se aproveita da estética da Era Dourada de Hollywood, assim como da trilha sonora avassaladora do final dos anos 60, mencionando grandes nomes da música como a banda The Beatles e o cantor Jim Morrison.

Os personagens de DiCaprio e Pitt são ficcionais, envolvidos em uma trama que beira a realidade. Eles são complementos conectados um ao outro. O trabalho de maquiagem e arte ficam bem visíveis aqui, quando nos orienta as semelhanças nas cenas de ambos. Os sotaques tipicamente norte-americanos e os monólogos que acompanham dois ou três minutos de cena, sem tirar a atenção do espectador, também são registros de seu diretor e roteirista.

Quanto à história, o renomado diretor não precisa em momento algum suplicar pelo anseio do público. O filme é sempre movimentado e divertido, prendendo totalmente a atenção de seu público, além de encontrar soluções para a narrativa que nos envolvem em um universo quase alternativo. Tarantino denota bem os grandiosos nomes da indústria que são citados e os difere com facilidade daqueles personagens que foram criados para se encaixarem no enredo.

Sharon Tate é majestosamente interpretada por Margot Robbie, capturando toda a energia adoravelmente pacífica da atriz, que foi um dos maiores símbolos do movimento hippie na década. Além disso, existem menções para os casos que viriam a acontecer depois da tragédia – fazendo menção à ficha criminal de Polanski.

A atmosfera tensa é criada nos momentos em que a família de Manson começa a ser citada, trazendo os atores e os espectadores para a realidade agonizante de estar cercado de fanáticos.

As participações especiais do filme contam com Dakota Fanning, Maya Hawke, Al Paccino, Samantha Robinson e diversos outros nomes conhecidos pelo público.

A película tem competência em deixar leve uma história aterradora e real, respeitando a imagem deixada pela idolatrada Sharon Tate, assim como também critica todas as jogadas publicitárias da época e honra com grandiosidade os grandes mestres de Hollywood, deixando assim, se realmente for o último filme do diretor, o fim de uma era, marcado por todos os seus traços anteriores.

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