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A primeira cena.

Ainda com a tela escura, “You’re Gonna Miss Me” do The Thirteenth Floor Elevators começa a tocar. Aos poucos, um vinil girando na vitrola se revela e a música vai entrando no seu auge. O filme começou.

A câmera vai abrindo o plano e podemos ver o aparelho de som e um cabo sendo esticado. O som vai mudando de perspectiva e o ouvimos agora vindo dos fones de Rob Gordon (John Cusack), um homem de uns 30 anos e pouco. Sua expressão é conflitante e assim nos revela seu pensamento: “O que veio primeiro? A música ou o sofrimento?”

Assim se inicia o longa-metragem Alta fidelidade (2000), dirigido por Stephen Frears e estrelado por John Cusack, com uma fala que nos revela o questionamento seguido pela personagem até o fim.

Dizem que reconhecemos um bom roteirista pela sua primeira cena: ela precisa nos mostrar o ambiente, o conflito, o estilo e o gênero do filme. É o momento em que o público precisa se conectar, embarcar na história.

Em Matrix (1999), já durante as apresentações dos logos das produtoras, podemos ver o tom esverdeado que será predominante em toda a trilogia. Temos a ligação telefônica, os policiais em perseguição e a personagem Trinity (Carrie-Anne Moss) fugindo, tentando encontrar um telefone onde ela possa se desconectar. Estão todos os elementos que virão no decorrer da história: ação, mocinhos, bandidos, suspense e habilidades sobre humanas.

No filme Cidade de Deus (2002), A cena de abertura se apresenta como um videoclipe. O tom do filme inteiro é decidido ali: o samba de fundo, pessoas depenando galinhas e uma outra que assiste a tudo apavorada esperando pelo seu fim. Mais esperta que as outras, consegue fugir quando, num momento emblemático, Buscapé (Alexandre Rodrigues) aparece, ficando entre os bandidos e a polícia quando está prestes a capturar a ave. Uma maneira genial de nos mostrar que esse será o ponto de vista do personagem central: no caminho do meio.

O roteirista no mostra os elementos que estarão em conflito durante a trama. Dessa forma, surgem as perguntas, em que mistérios são propostos e, claro, a empatia pelo personagem principal. Isso realmente precisa acontecer nos primeiros minutos do filme, caso contrário, corre-se o risco de não conseguir fisgá-lo mais. Há também o compromisso que o autor precisa entregar: se ele nos mostra que haverá ação, então que nos tire o fôlego. Se quiser nos levar para um mundo sombrio e misterioso que nos assuste e se houver a expectativa pelo romance, que nos apaixone.

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Categorias:Colunas, Filmes

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