Filmes

Crítica | Divaldo – O mensageiro da paz

Não é um filme biográfico, não é um filme doutrinário, e muito menos um filme de assombração. Até a palavra “filme” parece pequena demais para descrever a singela adaptação cinematográfica capaz de envolver o mais cético espectador.

Divaldo Pereira Franco é uma figura de grande admiração dos brasileiros não somente por seu papel religioso, mas por suas obras de caridade e o comportamento humilde e desprendido.

Fazer esse filme já foi uma dificuldade pelo mesmo motivo, uma vez que o homenageado não julgava necessário ser exaltado desta maneira. Levou-se anos para que Divaldo fosse convencido de que não se tratava de bajulação, mas de uma maneira de levar seus ensinamentos a quem nunca teve acesso.

Baseado no livro escrito pela jornalista Ana Landi, o filme conta a trajetória de Divaldo da infância aos dias atuais, já com seus 92 anos completos e ainda administrador da Mansão do Caminho, um complexo composto por orfanato, escola, hospital e centro espírita, onde acolheu, adotou e registrou cerca de 600 crianças em situação de abandono.

A escolha do elenco se deu por indicações e Clovis Mello, roteirista e diretor, teve um olhar sensível o bastante para a escolha dos três atores que viveriam Divaldo no cinema. Houve sintonia entre todos e isso é quase palpável em tela. As três fases da vida do médium foram abordadas com a inocência da criança, a empolgação do jovem e a resignação do adulto.

Durante toda a sua jornada, Divaldo conta com a ajuda de sua mentora espiritual, Joana de Angelis (Regiane Alves), que atua como uma mãe firme e preocupada em ensiná-lo tudo a seu tempo e de forma descontraída. Ela sempre esteve ao lado dele para aconselhar, conduzir e dar broncas quando necessário.

O roteiro fluido e quase espontâneo faz parecer que a película trata-se de uma lembrança contada por um amigo que participou de tudo, sem que para isso fosse necessário o recurso do narrador. Somos introduzidos na história como se ouve um caso com riqueza de detalhes e preservando a objetividade essencial para prender a atenção.

Os recursos cômicos desmistificam a desinformação daqueles que acreditam piamente num espiritismo sombrio e assustador, cuja verdadeira essência é a mesma do que já estamos acostumados: apenas uma visão mais ampliada da existência humana – ou, melhor dizendo, espiritual -, com os mesmos altos e baixos e adrenalinas do nosso cotidiano na Terra.

O propósito nunca foi doutrinar ou superexaltar a figura de Divaldo. Como um inseto que vai atrás da luz, o espectador é naturalmente atraído pelos ensinamentos da sua mentora e pelos resultados que ele atingiu. A pura verdade é que fica difícil não levantar o chapéu diante de sua determinação em espalhar amor e caridade a quem quer que seja.

Divaldo – O Mensageiro da Paz é aquele puxão de orelha que precisamos sentir de vez em quando. É uma lição sobre amor, empatia e humildade. Através de um conflito a princípio maniqueísta, o roteiro desenrola personagens de muitas facetas, ilustrando a presença das luzes e sombras que compõem todos os seres humanos.

O filme já está disponível e teve sua data de estreia no dia 12 de setembro de 2019. Abaixo, o trailer:

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